O Acervo Cruzeiro do Sul contém matérias publicadas na web ( versão on-line e na edição impressa ), desde maio de 2003.
O Condephaat tombou as terras do
Cafundó em 1990
***ERICK PINHEIRO*** Em 1990, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico de São Paulo (Condephaat), em função da importância da comunidade e de seu território como bens culturais de valor histórico, tombou as terras onde hoje se encontra a maior parte dos moradores do Cafundó que corresponde a uma área de aproximadamente oito hectares. Em 1999, o Instituto de Terras do Estado de São Paulo "José Gomes da Silva" (Itesp) regularizou o local. Segundo levantamento do Itesp, o território do Cafundó encontra-se totalmente sobreposto a domínios particulares. Em 2004, o Incra abriu processo para regularizar as terras do Cafundó. Em 14 de junho de 2006, o presidente do Incra, por meio da Portaria 235, reconheceu o território de Cafundó com 218,4462 hectares. Em 2006 pela Fundação Palmares, do governo federal. Mas a titulação das terras, pelas leis federais, ainda está em trâmite em Brasília. A "língua africana’ falada pelos moradores do Cafundó é um dialeto conhecido como "cupópia". Possui um vocabulário limitado constituído por 140 palavras aproximadamente. A maior parte delas tem origem na língua africana chamada quimbundo, da família banto, falada principalmente em Angola. A escola de Ensino Fundamental que serve a comunidade do Cafundó situa-se em um bairro vizinho, a oito quilômetros de distância. Um ônibus escolar busca os estudantes na porteira da comunidade. Para cursar o Ensino Médio é necessário se deslocar até o centro da cidade de Salto de Pirapora. Não há posto de saúde nas proximidades do Cafundó. O único atendimento se restringe a uma visita semanal de um médio do Programa Saúde da Família. Na região de Sorocaba, nas cidades de Salto de Pirapora, Pilar do Sul, São Roque e Votorantim há atualmente cerca de seis comunidades remanescentes de quilombo: Cafundó, Piraporinha e Fazendinha dos Pretos (em Salto de Pirapora), Do Carmo (em São Roque), Fazendinha Pilar (em Pilar do Sul) e Os Camargo (em Votorantim) a maioria em fase de regularização. O povoamento da região sorocabana se deu por meio de movimentações de tropeiros que iam para a Região Sul do País ou de lá voltavam. Não foi uma região com grande concentração de mão-de-obra escrava, como outras no Estado. Mas, por ser um entreposto comercial, essa região também negociava escravos, mesmo após a proibição do tráfico, em 1830. Acredita-se que a maior parte das comunidades quilombolas da região tenha se constituído em terras adquiridas por ex-escravos ou doadas pelos senhores a seus escravos. (Fonte: Comissão Pró-Índio de São Paulo Organização Não Governamental)