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Ainda inseguro em relação aos votos, o governo decidiu adiar para hoje a votação da emenda que prorroga a CPMF. O governo decidiu ontem falar grosso com sua base de sustentação no Senado cobrando fidelidade e apoio ao projeto de prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O governo precisa de 49 votos. Depois de o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter fracassado pessoalmente num inusitado pedido direto de ajuda ao governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), atrás dos votos da oposição, o tom mudou completamente à tarde. O governo avisou aos aliados que é hora de provarem que pertencem à base de apoio votando a favor da CPMF. E informou que dissidentes passarão a ser tratados como oposição. Assim como o governo sabe fazer bondades, também sabe fazer maldades. O governo não termina nessa votação. Temos vários anos ainda de governo. É a hora de se provar quem é da base. Quem não votar, pode procurar a oposição, deixou claro um líder governista para senadores indecisos da base. O corpo a corpo começou com Lula ligando antes das 8 da manhã para José Roberto Arruda. Tem um cafezinho aí pra mim?, perguntou Lula. Claro, presidente. Pode vir aqui, respondeu Arruda, surpreso com a iniciativa do presidente. Assim, Lula deixou de lado sua agenda oficial, quando participaria da solenidade de lançamento do programa Bolsa Atleta, e se deslocou sigilosamente com sua escolta de segurança até a residência oficial do governador Arruda, em Águas Claras. Pediu a Arruda para interceder junto ao DEM e tentar liberar os votos dos senadores Jonas Pinheiro (DEM-MT), Jayme Campos (DEM-MT) e Adelmir Santana (DEM-DF) a favor da CPMF. Lula pediu ainda ajuda para que o DEM não pedisse de volta na Justiça Eleitoral os mandatos dos senadores Romeu Tuma (PTB-SP) e César Borges (PR-BA), que eram filiados ao partido, caso eles votassem a favor da CPMF. Apesar do pedido do presidente, Arruda disse que não poderia interceder nesse sentido porque o DEM fechou questão contra a prorrogação da CPMF. Depois de receber mais um não da oposição, o presidente foi informado também que as negociações com os dissidentes da base continuavam difíceis. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebeu o governador de Rondônia, Ivo Cassol, interessado em atrair o voto de seu aliado, o senador Expedito Júnior (PR-RO).