O Acervo Cruzeiro do Sul contém matérias publicadas na web ( versão on-line e na edição impressa ), desde maio de 2003.
Antonio Sérgio Ismael,
presidente do Sindicato dos Médicos
A terceirização dos serviços no Centro de Hemodiálise da Unidade de Nefrologia do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) é considerada ilegal pela direção do Sindicato dos Médicos de Sorocaba e Região. A possibilidade de terceirizar a assistência médica do setor é cogitada pela direção do Departamento Regional de Saúde (DRS-16) e do CHS, que alegam falta de médicos na unidade. O presidente do Sindicato dos Médicos, Antônio Sérgio Ismael, é contrário à iniciativa e promete cobrar intervenções de todos os setores. O déficit de profissionais na área de nefrologia e a discussão sobre a possível contratação de uma empresa para administração do setor são informações adiantadas pelo diretor DRS, Antonio Carlos Nasi, em entrevista ao Jornal Cruzeiro do Sul. Embora não seja favorável, Nasi afirmou não ver outra alternativa, uma vez que os médicos estão se demitindo sem motivos aparentes. O quadro hoje é composto por quatro a cinco profissionais, mas o ideal seria oito a dez, o que possibilitaria a reativação do terceiro turno para a ampliação do atendimento. De acordo com Ismael, ainda esta semana haverá uma reunião entre a direção e o setor jurídico da entidade, além da presença de diretores do Sindicato dos Trabalhadores de Saúde no Estado de São Paulo (Sindsaúde), regional Sorocaba, e do deputado estadual Hamilton Pereira (PT). Ele informou que a situação da hemodiálise do CHS, assim como o resultado do encontro, devem ser levados a Assembléia Legislativa e ao Conselho Estadual da Saúde. Faremos uma manifestação em todos os níveis, adiantou. Transferência de médicos A transferência de quatro médicos da neurologia, que atualmente desenvolvem serviços burocráticos, em razão da terceirização do setor, foi criticada pelo representante da categoria. Contratar uma empresa para setores da limpeza e refeitório pode ser, mas é irregular para os serviços fins como o atendimento à saúde, reforçou. Ismael atribui as demissões à baixa remuneração e às condições de trabalho, diante da pressão, em razão da grande demanda de pacientes que passam pelo setor. O salário do médico que atua no Estado não é atraente, comentou Ismael. Por 20 horas de trabalho, a remuneração é de R$ 1.670,00, mas quase atinge os R$ 2.300,00, somadas as gratificações e plantões, esclareceu. Os profissionais trabalham sem perspectivas de melhoria nos salários e carreira, criticou. Além disso, se acabam os plantões e gratificações, o salário do médico cai. E tudo isso acaba desestimulando o médico a trabalhar para o Estado, observou o representante da categoria. Terceirização e estrutura O diretor da Associação Beneficente dos Pacientes de Hemodiálise, Paulo Puchetti, é paciente do setor de hemodiálise do CHS e um dos fundadores da entidade, que foi criada há dez anos. Ele aponta a terceirização como uma solução para a falta de médicos no setor, e até se diz favorável, desde que melhore para os doentes renais, que dependem do atendimento. Mas chamou a atenção para os problemas estruturais como as máquinas sucateadas, que exigem constantes reparos. Ele contou que o setor tem trinta máquinas, mas que 26 já existiam, e que alguns desses equipamentos vivem em manutenção. Puchetti ainda criticou a reforma da unidade, que em sua opinião foi maquiada. Trocaram as janelas, aplicaram paviflex no chão, substituiram a canalização que era de ferro por PVC, em razão do risco de contaminação, mas as cadeiras estão todas em situação precária. São quatro horas sentados naquelas cadeiras com ferros que até machucam.