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24/03/2012 | CHICO ANYSIO

Humorista teve forte ligação com Sorocaba

Notícia publicada na edição de 24/03/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 012 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

José Antonio Rosa
joseantonio.rosa@jcruzeiro.com.br

 

Há quase um ano, então recuperado dos graves problemas de saúde que enfrentava, Chico Anysio voltou à cena interpretando a professora Salomé, personagem criado pelo sorocabano Ary Madureira. Durante pelo menos três meses, esteve à frente de um quadro no programa Zorra Total, da Rede Globo. O retorno ao vídeo foi comemorado por amigos locais, entre eles o cartunista Peron. "Ele é um leão, adora viver e ama a vida que tem. Tem muita fé e conseguiu sair bem disso tudo", disse Peron ao Mais Cruzeiro na ocasião.

 

Sexta-feira, abatido, e quase não contendo o choro, ele encontrou forças para falar novamente com a reportagem. "Você me desculpe; é muita tristeza. O mundo perdeu um gênio, o mestre. Chico é insubstituível naquilo que fez". Em meio à comoção do momento, Peron relembrou algumas passagens do humorista. Chico Anysio manteve estreita ligação com o roteirista e redator Ary Madureira, que adotava o pseudônimo de Marcos César.

 

Os dois se conheceram nos tempos da TV Record e, desde então, mantiveram um vínculo que transcendeu o campo profissional. Ary escrevia os textos que Chico Anysio interpretava aos domingos no "Fantástico". Testemunha dessa convivência, o advogado Marcos Alberto Morais, amigo da família do escritor, lembra que, todas as quintas-feiras, passava o material por telex da casa de Ary Madureira. "Tive esse privilégio durante um bom tempo. Lia antes e, depois, conferia na televisão o Chico falar."

 

Chico apresentou-se várias vezes na cidade. Numa delas, lotou o ginásio do Ipanema. Entre uma história e outra, contou a da "experiência pioneira" do Brasil quando do lançamento do primeiro foguete ao espaço. Na verdade, o texto, de Ary Madureira, consistia numa sátira, outra boa sacada, e projetava a imagem dos astronautas a caminho da aeronave usando uniformes com a logomarca de uma rede de lojas falida.

 

Assim que concluiu a apresentação, aplaudido em pé, Chico disse ao público que quase tudo o que falara tinha sido escrito por Marcos César. O repórter que assina esta matéria estava lá, e conversou, rapidamente, com Chico Anysio. A caminho do camarim, ele respondeu a duas ou três perguntas. Naquele dia, o então ministro do Planejamento do governo Figueiredo, Mário Henrique Simonsen, havia pedido exoneração. "Chico, o Simonsen caiu", disse o jornalista. "Não posso falar nada. Não sei quem vai assumir no lugar dele", respondeu.

 

Junto com Peron, o também autor de textos humorísticos Nilson Costa acompanhou a trajetória de Chico Anysio na cidade. Nos anos 70, então frequentadores da Peixaria Faculdade, tradicional ponto de encontro, assistiram Ary criar outro tipo que seria incorporado à galeria do comediante. O sujeito, chamado José Bonifácio, tinha um jeito peculiar de ser, falava num tom de voz rouco, grave. Ary não pensou duas vezes e criou, ali, o malandro Azambuja.

 

Chico Anysio, claro, lapidou o personagem e o transformou numa de suas mais bem sucedidas produções. Salomé de Passo Fundo, a professora que ligava para o presidente para lhe passar sermões, nasceu do gênio criativo de Ary como resposta ao contexto político da época. "Era bom demais ter alguém para puxar a orelha dos militares", recorda-se Peron. Já dele, Chico interpretou, numa campanha da Copa de 1986, Baiacú, o Bolada. Peron lembrou, ainda, do engajamento de Chico Anysio em causas sociais. Nos anos 90, esteve em Sorocaba para gravar um comercial do Banco de Olhos do Hospital Ofalmológico. Com ele veio parte do elenco da Escolinha do Professor Raimundo, entre os quais Lúcio Mauro e Rogério Cardoso.

 


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