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25/03/2012 | ECONOMIA

Poupar e gastar têm hora certa

Fazer economia é um hábito que deve ser ensinado em casa, reforça o economista especialista em finanças pessoais, o professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), Geraldo Schmidt. O comportamento dos pais na administração das próprias finanças é uma forma de mostrar para os filhos a maneira de lidar com dinheiro. Foi em casa que o soldador Onésio Antônio da Silva, 41, aprendeu a controlar seu salário, fazer contas do mês e cuidar para gastar menos do que ganha.

"A gente tem que estar sempre um paço à frente da conta, e não a conta atrás da gente. Isso eu aprendi com meus pais", conta. Na ponta do lápis, Onésio sabe exatamente o que gasta no mês. Contabiliza os gastos com alimentação, as contas da casa como água, luz e impostos. Nem a farmácia fica fora do cálculo. Com esse comportamento, o soldador consegue comprar tudo à vista. A última aquisição foi seu automóvel e o esforço, diz ele, não foi desumano. O que aprendeu com os pais, Onésio passa para as filhas. São duas meninas, uma casada e outra solteira, mas nenhuma das duas tem problemas financeiros.

Negociar e estudar a melhor opção de pagamento é a estratégia da comerciária aposentada Luzia Oliveira Santos, 61. "Comprar à vista ou a prazo vai depender da situação", diz. Consumidora controlada, a aposentada só vai às compras quando está precisando do bem ou produto a ser adquirido. "Eu sempre pergunto quanto de desconto consigo se pagar à vista e em quantas vezes posso pagar sem juros. Depois eu penso", ensina. A última aquisição foi uma televisão de 32 polegadas. O pagamento foi dividido em dez vezes e ainda faltam duas parcelas para quitar a compra.

Gastar não é pecado

O gasto deve ser dentro das possibilidades financeiras de cada um e sempre pensando em deixar uma reserva para eventuais emergencias. O economista e professor da Uniso, Geraldo Schmidt, destaca que apesar da importância, as pessoas não devem ficar obcecadas em poupar.

Ele argumenta que os gastos mais pesados na vida de uma pessoa, normalmente se concentram entre os 20 e 50 anos. É nessa época em que, normalmente, compra-se um imóvel, um automóvel e os gastos com os filhos são mais altos. "Mesmo nessa época é preciso que se tenha lazer, que se tenha alguns gostos pessoais, mas tudo dentro da possibilidade de cada um", aconselha. O mesmo argumento é válido também depois dos 50 anos. "A partir daí, depois dos filhos criados e as contas pagas, deve-se começar a usufruir da poupança mas sempre dentro das possibilidades. Tem gente que vai para Paris, outros vão para o Rio de Janeiro", brinca o professor. (Carolina Santana)


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