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20/04/2012 | HOSPITAL DOUTOR FRANCISCO RIBEIRO ARANTES

Parte do Pirapitingui será doada para a Prefeitura

Prefeitura e Estado fizeram o acordo, depois de 40 dias de intensiva análise
Notícia publicada na edição de 20/04/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 11 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
Samira Galli
samira.galli@jcruzeiro.com.br

Parte do Hospital Doutor Francisco Ribeiro Arantes, o Pirapitingui, será desativada e a área doada à Prefeitura de Itu. Anunciado algumas vezes nos últimos anos, o acordo foi firmado esta semana entre a Prefeitura e o Estado, depois de 40 dias de análise intensiva, feita por um representante do próprio Governo, que se instalou temporariamente no local. "A área é muito grande e a Prefeitura poderá tanto regularizar como bairro, como pode inclusive fazer um Parque Industrial", afirmou o coordenador de serviços de saúde da Secretaria da Saúde do Estado, Sebastião André de Felice.

Além disso, a diretoria do hospital será trocada nas próximas semanas, e as administrações do hospital e do Centro Desenvolvimento Portador Deficiência Mental (Cedeme) serão unificadas. "O hospital Doutor Francisco Ribeiro Arantes e o Cedeme vão se tornar um único hospital. Essa medida já foi estudada e será feita para potencializar os recursos e propor uma ação assistencial mais ampla", afirmou Felice. O nome do novo diretor já está definido, mas o anúncio ainda é mantido em sigilo. "É uma pessoa de São Paulo, que virá com toda uma equipe para uma grande força-tarefa", disse.

Na quarta-feira houve interdição da Vigilância Sanitária Municipal na cozinha e refeitório do hospital. Em condições precárias, foi constatado a presença de ratos e baratas no local. Apesar disso, Felice garante que as mudanças previstas não irão acontecer por este motivo. "A gente já vinha tratando, estudando e avaliando há mais de um ano o futuro do hospital. A interdição foi um problema pontual", afirma.

Felice contou que algumas irregularidades na alimentação dos pacientes e funcionários já tinham sido observadas, e que uma das principais dificuldades da instituição é exatamente o problema gerencial na área de nutrição. Entre as causas, ele aponta a própria estrutura do prédio - antiga, alta e muito grande. "Pela condição do prédio é difícil realizar uma higienização adequada. Nós vamos apurar o que aconteceu e ver o que realmente pode ser feito", ressaltou o coordenador, não descartando a possibilidade de punição e reformas. "Não vamos nos eximir de uma ocorrência, vamos procurar se houve alguma situação de negligência ou de omissão."

Enquanto a Secretaria Estadual da Saúde não cumprir a lista de exigências elaboradas pela Vigilância, o refeitório e a cozinha permanecerão lacrados. Enquanto isso, a alimentação para os 80 funcionários e 260 pacientes será fornecida pelo Cedeme. Além da reestruturação da área toda futuramente, Felice garantiu que será feita uma higienização imediata no local, inclusive a realização de uma dedetização completa, feita pela última vez em dezembro - e expirada em março. "A empresa já havia sido contratada. A dedetização estava marcada para hoje (ontem)", declarou. 

Hospital-bairro
 
Criado em 1932 e administrado pela Secretaria Estadual da Saúde, o Pirapitingui oferece atendimento e abriga pacientes portadores de hanseníase. O hospital teve o seu auge na década de 60 ao comportar aproximadamente quatro mil pacientes ao mesmo tempo. Atualmente, os 260 pacientes vivem na área de dez alqueires (242 mil metros quadrados) situada no bairro Cidade Nova, em Itu. "Nós vamos ter que redefinir a própria missão do hospital. Ver o quanto a estrutura é necessária para a região", afirmou o coordenador.

Atualmente, o Pirapitingui mais parece um bairro de Itu. No local existe um centro de saúde para a comunidade -construído pelo governo municipal - além de bares, mercearias e até igrejas de diversas religiões. As ruas são iluminadas, o sistema de coleta de lixo funciona, mas o mato é visível em praticamente todos os quarteirões.

Segundo Felice, muitas casas estão vazias, outras foram invadidas e algumas estão sendo usadas indevidamente por parentes de doentes. "A Secretaria irá manter aqueles pacientes que estão diretamente ligados ao hospital, por existir um compromisso e obrigatoriedade do Estado. O restante das casas e áreas será liberado para a Prefeitura", enfatiza. Apesar de especificar todas as mudanças previstas, o coordenador não forneceu nenhuma informação sobre prazos para elas se efetuarem. "Há aspectos jurídicos, administrativos e sociais a serem tratados", observou.
 
Denúncias
 
Devido à precariedade em que se encontra, o Pirapitingui é alvo de denúncias de pacientes e moradores da instituição de saúde. Em fevereiro, uma comissão formada por pacientes e moradores do hospital protocolou, junto ao Ministério Público, um documento com acusações contra a administração. "Todos sabem de todos os problemas, mas nunca ninguém tomou as devidas providências", afirmou Emanuel Rodrigues, líder da comissão.

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