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20/04/2012 | SAÚDE BUCAL

Gestante precisa de cuidados odontológicos especiais

Notícia publicada na edição de 20/04/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 003 do caderno Ela - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
A maior dificuldade do pré-natal odontológico vem das crenças de que gestantes não podem receber assistência devido aos possíveis prejuízos à sua saúde ou do feto, Mas é exatamente por estar grávida que há a necessidade de cuidados bucais, envolvendo toda a equipe de saúde. Em Sorocaba, na rede municipal de saúde, ao receber a notícia da gravidez, a mulher é encaminhada para o pré-natal médico e também ao dentista. Isso é o ideal.

Na verdade, o recomendado é que toda mulher em idade fértil consulte seu ginecologista, mas também um dentista, pois se ela tiver infecções na boca, corre o risco de ter um parto prematuro, gerando bebes com a saúde fragilizada e com risco acentuado de óbito.

A gestação envolve mudanças fisiológicas e psicológicas complexas, por isso faz-se uma abordagem diferenciada e multidisciplinar, atuando nas alterações sistêmicas e bucais, com incentivo às visitas periódicas ao dentista, aos hábitos saudáveis de dieta e higiene e prevenindo tabagismo, drogas e etilismo.

 

Consultas de prevenção, urgências e procedimentos de rotina são indicados durante toda a gestação, como adequação do meio bucal e controle de placa, os demais procedimentos de tratamento odontológico são oportunamente executados no 4º, 5º e 6´ mês de gestação.

 

A gravidez por si só não determina quadro de cárie ou doença periodontal, mas alterações fisiológicas, hormonais e imunológicas acentuam a resposta gengival, quando a higiene é deficiente e os hábitos de alimentação são alterados. Índice de problemas é alto.

 

A Secretaria de Estado da Saúde aponta que oito em cada 10 gestantes sofrem com problemas dentários. Tal estatística é relatada com base nos dados de atendimentos pré-natais realizados pelo Programa "Boca Saudável, Gravidez Saudável".

 

Ocorre que os fluidos gengivais, normalmente produzidos pela gengiva (entre o dente e a gengiva) contêm anticorpos que costumam ter um efeito protetor ao dente. No entanto, durante a gestação, esses fluidos gengivais passam a ter um alto nível de hormônios. Alguns tipos de bactérias podem usar esses hormônios na produção de energia, onde podem crescer e se multiplicar, causando problemas gengivas (sangramento gengivite gravídica). Na gestação, a saliva vai apresentar uma alta taxa de hormônios, o que vai facilitar também o crescimento bacteriano na boca. Durante a gestação, em função das alterações hormonais, a gestante fica mais susceptível ao acúmulo de placa nos dentes e aos problemas gengivais. Durante esse período, a gestante deve se empenhar em manter uma excelente higiene oral, caso tenha ânsias procurar o horário em que tenha menos para então compensar, com uma higiene caprichada (fio e escova), os outros horários em que a ânsia não permitiu uma limpeza adequada; A prevenção seria o acompanhamento odontológico durante esse período para procedimentos profiláticos e manutenção de uma correta higiene oral.

 

Devemos salientar que as mudanças hormonais que ocorrem durante a gestação também aumentam o risco do surgimento de cavidades patológicas (cáries). A cárie é uma doença multifatorial e devemos ressaltar que os principais fatores são a higiene deficiente e a presença da alimentos e bebidas ricas em açucares várias vezes ao dia. A criança em nenhum momento "rouba" cálcio dos dentes da mãe, enfraquecendo-os. São as alterações de hábito da mãe (higiene e alimentação) que pode levar ao aparecimento das cáries.

 

Para evitar tais problemas, a gestante deve procurar alimentos saudáveis. Entre as refeições é comum uma alimentação com "lanchinhos", biscoitos e snacks (com açúcar), estes devem ser substituídos por frutas que realizam a autolimpeza das superfícies dentárias e não contêm açúcar. A substituição de alimentos ricos em carboidratos e açúcar por frutas e vegetais diminuirá o alimento das bactérias que causam a cárie e doença na gengiva.

 

As vitaminas B são muito importantes para manter a saúde dos tecidos da boca. O ácido fólico (uma das vitaminas B) está relacionado na prevenção de aparecimento de fendas palatinas em recém-nascidos.

 

Já a vitamina C, auxilia a mulher gestante a manter uma gengiva sadia durante o período de gestação. O cálcio é importante para a saúde dos ossos e dentes da gestante, bem como para os ossos e dentes do bebê.

 

Vale lembrar ainda que os tratamentos odontológicos emergenciais para aliviar as dores, edemas, sangramentos ou infecções devem ser solucionados assim que possível, não importando o estágio da gestação. Com as tecnologias atuais ocorrerá pouca exposição de radiação para o feto durante a radiografia odontológica. Protetores e barreiras executarão a proteção tanto da tireoide quanto do feto, no caso de uma eventualidade e necessidade de um atendimento odontológico de emergência, onde o profissional julgue necessária tal modalidade de exame complementar.

 

E finalmente: a gestante não deve usar flúor por causa do bebê. A ingestão de flúor durante a formação dos dentes provoca a fluorose, que são manchas brancas ou marrons que pode ocorrer nos dentes de leite e permanentes. Ele será importante para a criança depois que nascerem os dentinhos, devendo ser usado com a orientação de um odontopediatra.

 

(Colaboração de Alexandre Moris, dentista em Sorocaba) 

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