Angelo Muraro, 78 anos, um dos chorões mais antigos e tradicionais da cidade, entrou para o choro pela alma, quando era menino e via os pais e tios tocarem aquelas melodias choronas e cheias de emoção. "É meu dom, minha vocação, minha vida. Vai durar até eu morrer", conta enquanto sola algumas notas nas cordas de seu cavaquinho. "Já toquei com muita gente como o Leroy (o acordeonista Leroy Amêndola), com o Izaías (bandolinista Izaías e seus Chorões), com o grupo Nosso Choro..."
Foi pelas ondas do rádio e nas rodas de bambas do bar Tudo Azul que Angelo viveu, em companhia de outros músicos, a paixão pelo choro, sentimento que até hoje alimenta o exercício de manter essa cultura viva. Toda quarta-feira, há 15 anos, Angelo e sua mulher, Mazé Muraro, abrem as portas da casa para os ensaios do Grupo Samba, Choro & Seresta, do qual são coordenadores. O projeto foi realizado por vários anos no Restaurante e Churrascaria Morais. O espaço não poderá mais abrigar as serestas e o grupo está à procura de um novo lugar para as apresentações. A data que celebra o choro, porém, não vai passar em branco e se preciso for, será na mesma varanda onde acontecem os ensaios que os músicos vão embalar as melodias chorosas. "Não é o nosso ganha-pão", diz Mazé. "É nossa paixão. Somos mesmos fanáticos", frisa Angelo, que ainda hoje exerce o ofício que aprendeu com o pai: é um luthier de mão cheia e já transmitiu essa arte ao filho André Muraro. Nos fundos de sua casa ainda faz, como denunciam os moldes, cavacos e violões. (A.A.)
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