Rodar os primeiros mil quilômetros da primeira etapa da viagem propiciou mais prazer que problemas ou contrariedade. Apesar dos contratempos mecânico e financeiro, que, por fim, acabaram servindo de motivo para brincadeiras e boas lembranças nos dias seguintes, a paisagem absolutamente diferente de tudo aquilo que brasileiros estão acostumados a ver; as pessoas com quem se mantêm contato ao longo da viagem; a sensação de vitória a cada chegada noturna nos hotéis para um bom banho e uma boa cerveja gelada além da conversa animada sobre a aventura do dia fazem valer cada metro rodado.
E boas histórias não faltaram no caminho para Villa Union: a recepção em San Agustin e depois no posto do policial Pablo; o susto de um pneu furado numa moto que estava a cem quilômetros por hora; a troca da câmara sob uma temperatura de 41 graus centígrados, seguida de uma exasperante operação de enchimento do pneu com uma minúscula bomba manual; a impossibilidade de visitar o Valle de la Luna; a chegada ao Parque Nacional de Talampaya, sítio arqueológico que não pôde ser visitado pois já havia se passado meia hora do horário de fechamento e, o segundo susto do dia, já em Villa Union.
A cidadezinha perdida no interior da Argentina lembra muito as pequenas cidades interioranas brasileiras, com sua praça central, sua igreja, seu comércio e seus postos de combustíveis que estavam sem gasolina há três dias quando da chegada do grupo. E sem previsão de reabastecimento nos dias seguintes. À frente, mais 160 quilômetros de deserto até San José de Jachal onde, teoricamente, seria possível abastecer as motos que estavam com sua autonomia no limite. A impossibilidade de passear pelo Valle de la Luna e pelo Parque de Talampaya acabou garantindo a reserva de gasolina para sair de Villa Union no dia seguinte. Sem isso, a situação definitivamente se agravaria.
Mais um pneu furado e a preocupante descoberta que um dos rolamentos de roda dessa mesma moto havia se desmantelado, completou a conturbada passagem por Villa Union que, surpreendentemente, tem em seu comércio uma casa especializada em peças para motos e, mais ainda, com os rolamentos necessários. (Homero Querido Filho)
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