Apesar de declarar ser dono de um patrimônio pessoal modesto, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) esbanjava nos gastos com vinhos caríssimos. Dono de uma das adegas mais invejadas de Brasília, o senador encomendou ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, cinco garrafas de Cheval Blanc, safra 1947, tido como um dos melhores vinhos do mundo. A compra aparece em escutas autorizadas feitas pela Polícia Federal, às quais o Estado teve acesso, dentro das investigações da Operação Monte Carlo.
Pechincha
A aquisição foi realizada em agosto do ano passado e chama a atenção pelo seu alto valor. No Brasil, cada garrafa custa o equivalente a R$ 30 mil. Mas o esquema de Cachoeira conseguiu uma "pechincha" e comprou as cinco garrafas por aproximadamente US$ 15 mil (cerca de R$ 28,2 mil). Se não bastasse o custo elevado da compra, o pagamento revela mais uma vez a relação de grande intimidade do senador com Carlinhos Cachoeira. O pagamento, a pedido de Demóstenes, foi feito no cartão "do nosso amigo aí", referindo-se ao contraventor.
Ex-crítico de Lula
O Partido dos Trabalhadores de Curitiba (PR) encontrou em um ex-oposicionista a chance para tentar ganhar a Prefeitura de Curitiba pela primeira vez. Por 167 votos contra 128, o PT decidiu ontem, em uma votação interna com 300 delegados (houve cinco abstenções), apoiar o ex-deputado federal Gustavo Fruet (PDT), antigo aliado do governador Beto Richa (PSDB) e feroz crítico do governo do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (Lula), antes de ingressar para o PDT.
Divergências aparadas
Apesar disso, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que as divergências foram "aparadas". "Eu mesmo cheguei a dar umas botinadas nele, no sentido político. Mas o importante é que agora ele está alinhado com as políticas públicas que já implantamos no governo federal e que pretendemos implantar em um futuro governo. Aliás, as únicas políticas públicas de Curitiba são as realizadas pela nossa gestão", disse o ministro. Já para os próximos dias, Fruet deverá se encontrar com o ex-presidente Lula.
Unanimidade
Adversários nas eleições para a Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT), Gabriel Chalita (PMDB) e José Serra (PSDB) usam argumentos semelhantes para rebater a proposta de cobrança de pedágio urbano na capital paulista: a baixa qualidade do transporte público. Assim, evitam se associar a uma medida tida como impopular e que já ajudou a definir eleições paulistanas: a criação de taxas. Apesar de ser aliado do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito Gilberto Kassab (PSD), o tucano José Serra admite que é necessário aumentar os investimentos em trens e metrô. 'Ainda não temos um sistema de transporte coletivo que possa servir àqueles que usam automóvel", afirmou Serra. "Enquanto você não tiver um excelente sistema de transporte, especialmente de trilhos, não se pode fazer pedágio urbano."