O topo do segmento de superesportivas é a parte mais nobre do mercado brasileiro. São motocicletas de alto rendimento, tanto na pista quanto financeiro. E que em 2011 registraram perto de 4 mil unidades vendidas, apesar de o preço dos modelos ser sempre acima dos R$ 50 mil. O paradigma desse nicho atualmente é para modelos de 1.000 cc. Esse tamanho de motor é exatamente o mesmo apresentado pela Yamaha YZF R1 desde a época de seu lançamento, em 1998. O jeitão malvado, com dois faróis em forma de gota e o perfil pontiagudo, também é mantido até hoje. Mas uma boa dose de tecnologia foi embarcada para ajudar a domar as reações na pista.
Esse aumento de tecnologia foi fazendo com que a R1 ganhasse potência e emagrecesse ao longo dos anos. Dos iniciais 150 cv para empurrar 190 kg, hoje são 182 cv para dar conta de 184 kg - a relação peso/potência caiu em 20%, de 1,26 kg para 1,01 kg/cv. Outra evolução foi a adição de tecnologia. O modelo atual tem válvulas em titânio, chassi em alumínio e virabrequim "crossplane", típico de motores V8. Este virabrequim distribuiu as bielas em ângulos de 90º e faz com que cada cilindro exploda a cada um dos quatro tempos. Essa formatação dispensa o uso de contrapesos, já que o nível de vibrações do motor fica naturalmente muito baixo. Além disso, lineariza a geração de potência, o que permite a alteração da sequência de ignição mais facilmente e sem provocar desequilíbrios.
A busca de um comportamento mais progressivo é mesmo necessária, já que a YZF R1 pode ser bastante feroz. Na verdade, ela tem três mapeamentos para a ignição, que são controlado por um botão no punho direito, alteram bastante o comportamento da moto. De acordo com a configuração, a YZF R1 pode ser civilizada, brava ou absolutamente selvagem. A lógica de construção da R1 é a consagrada para o segmento: centralização das massas, redução de pesos e ganho de potência através de alívio no funcionamento do motor. Mas o que caracteriza o modelo da Yamaha é uma maior preocupação em ser mais agradável na tocada, com um despejo de torque na roda traseira bem harmônico.
Apesar de ter um motor forte e contar com vários componentes típico de bólidos da Moto GP, ela não se comporta como uma fera descontrolada que faz o piloto de passageiro. Nisso colabora muito o porte do modelo: tem 2,07 metros de comprimento e uma altura do assento ao chão de apenas 83,5 cm, apesar da boa distância de 13,5 cm para o solo. Esta R1 linha 2012 está nos últimos meses de vida no mercado. Já foi anunciada a chegada de uma R1 renovada para o meio do ano - o que torna o atual modelo passível de um belo desconto sobre o preço oficial de R$ 57 mil. E como acontece desde 1998, vai manter as características estéticas e técnicas que tornaram a R1 uma referência no segmento das RR - ou "racing replica". (Eduardo Rocha - Auto Press)
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