A informação como defesa e proteção à criança contra casos de abuso sexual foi defendida ontem pela escritora Odívia Barros, autora do do livro "Segredo Segredíssimo", o primeiro livro infantil brasileiro que trata do assunto utilizando a narrativa de uma história com ilustrações. Como proposta para evitar o problema, ela disse: "Conhecendo o inimigo. Isso é básico. A gente precisa dar informação porque a informação vai com a criança aonde quer que ela esteja. Com o conhecimento, a criança vai ter o mínimo de chance de se defender."
A palestra de Odívia foi uma promoção da Comissão Municipal de Enfrentamento da Violência Sexual de Sorocaba e do Comitê Regional de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Com a participação de 103 pessoas, o encontro abriu a programação alusiva ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração de Crianças e Adolescentes, que terá hoje atividades de orientação jurídica e prevenção sobre estes assuntos. Será das 9h às 13h, na praça Coronel Fernando Prestes. A data tem inspiração no desaparecimento da menina Araceli, ocorrido em 18 de maio de 1973.
Odívia falou ontem para um público de professores, psicólogos, assistentes sociais, entre outras profissões. Hoje, às 8h30, ela também apresentará o tema do combate à exploração sexual infantil no Centro de Referência em Educação da Prefeitura, no Jardim Saira.
Papel das escolas
"Vamos, juntos, colocar o tema sexual infantil nas escolas", Odívia disse, amparada em pesquisa que diz que em 52% dos casos o professor é a primeira pessoa à qual a criança denuncia a situação de abuso. Na sua análise, as escolas têm papel fundamental na prevenção e, enquanto isso não acontecer, as políticas públicas voltadas ao assunto estarão "enxugando gelo".
Odívia afirmou que o posicionamento das escolas é "deprimente", porque elas não dão ao educador as ferramentas para ele levar mensagem à criança "de forma tranquila, que não assuste e que proteja a criança". Em muitos casos, disse que as escolas optam pelo caminho de que "ninguém viu nada e a vida continua". Criticou o pensamento de escolas que acham que o problema é da família. "É um problema social", alertou.
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