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23/05/2012 | EDITORIAL

O bonde da história

 Os gestores públicos têm grande parcela de responsabilidade em criar políticas que façam com que a cidade jamais volte a perder o bonde da história como no passado, mas a população como um todo também tem que fazer sua parte
Notícia publicada na edição de 23/05/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 3 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

A tradição de comemorar eventos marcantes da história em datas redondas vai muito além da contagem do tempo. É também uma oportunidade de reflexão e abertura de debates sobre os acontecimentos inseridos no centro das reflexões.

Este raciocínio ganha novo estímulo agora, por ocasião dos 170 anos da Revolução Liberal completados em 17 de maio. Símbolos representativos daquele movimento podem ser vistos em exposição no Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba (IHGGS). Lá estão o painel de Ettore Marangoni com a reprodução do momento histórico em que, no ano de 1842, a Câmara de Sorocaba decretou a cidade como capital da Província de São Paulo e empossou um dos seus filhos mais ilustres, o Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, como presidente interino do território que viria a ser o Estado de São Paulo.

O professor Adilson Cezar, presidente do IHGGS, baseado nos estudos sobre aquela época, lembra que Sorocaba era tão ou mais importante do que São Paulo e Campinas. Era o auge do tropeirismo e as feiras de muares movimentavam a cidade nos meses de abril e maio, atraindo grande quantidade de pessoas, entre comerciantes e compradores de animais. Sorocaba estava no centro da rota de comunicação, em distância e desenvolvimento, entre o sul do país e a capital de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. E, no entanto, a cidade perdeu o bonde da história para São Paulo e Campinas, que cresceram muitas vezes mais.

Mesmo com a introdução da ferrovia em 1875 e das primeiras atividades industriais na segunda metade do século 19, a cidade não acompanhou o ritmo de crescimento de São Paulo e Campinas, o que dá o que pensar. Certamente a febre amarela, que castigou a cidade no fim do século 19 e na passagem para o século 20, inibiu novos investimentos. Mas outros fatores contribuíram para explicar a timidez com que Sorocaba se lançou no ritmo do progresso.

Por muitos anos o município amargou prejuízos por conta de falta de universidades públicas, importante fator de desenvolvimento de todo projeto local e regional em qualquer lugar do mundo e este também pode ter sido outro fator inibidor de um ritmo mais acelerado de progresso para a cidade. Representantes políticos da época acrescentaram em suas biografias responsabilidades que, pela natural razão de eles não existirem mais, nunca poderão reparar.

Estas considerações são oportunas para a atualidade. O município convive desde há alguns anos com boas notícias sobre progresso e perspectivas para o futuro a curto prazo. Se um dos valores da história é aprender com as lições que ela deixa, é chegada a hora de os gestores públicos extraírem todo o conteúdo pedagógico das perdas que tivemos. O objetivo é evitar a repetição de erros que levaram a cidade a interromper ciclos de desenvolvimento.

Agora que recebemos grandes empreendimentos como a multinacional Toyota e as empresas sistemistas a ela vinculadas, o Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS), novos shoppings, expansão imobiliária e importantes investimentos em infraestrutura viária, está mais do que comprovado que Sorocaba atravessa um dos momentos mais empolgantes de sua história e que será estudado no futuro como uma das mais promissoras oportunidades do município. E, tudo isso, apesar das incertezas geradas pela economia mundial atingida por crises nos Estados Unidos e na Europa, no rastro dos problemas econômicos que assustaram o mundo em 2008.

Os gestores públicos têm grande parcela de responsabilidade em criar políticas que façam com que a cidade jamais volte a perder o bonde da história como no passado, mas a população como um todo também tem que fazer sua parte, pois vivemos em plena democracia e estado de direito e os governos não administram sozinhos os municípios, os estados e o país. A responsabilidade é de todos nós e vale para todos os anos, especialmente naqueles mobilizados pelo calendário das eleições municipais.


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