Ana Paula Yabiku Gonçalves
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programa de estágio
Apesar do conceito sustentabilidade estar tão na moda, ainda há quem não conheça o seu real significado ou, na pior das hipóteses, nunca tenha sequer ouvido falar no termo. Ser sustentável, explica o técnico ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), José Carmelo Freitas Júnior, é assumir práticas capazes de sustentar a si próprio e, principalmente, às próximas gerações que habitarão o planeta. Para isso, é importante estar atento aos famosos Três R"s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.
Na hora das compras, que tal optar apenas pelo essencial? Assim, diminuímos a quantidade de lixo residual produzido. Com um pouco de imaginação e criatividade, também podemos utilizar várias vezes os mesmos produtos. Sobras de materiais e embalagens podem ser reaproveitados para outras funcionalidades, como as garrafas de plástico ou vidro, que funcionam como recipientes para organizar os materiais do escritório.
Para evitar o desperdício e praticar a sustentabilidade dentro de casa, uma boa dica é reaproveitar cascas e talos de frutas e legumes em nossa alimentação. Pensando nisso, Carmelo reuniu mais de dez pessoas para uma oficina sobre o reaproveitamento de alimentos. O tema faz parte de um ciclo de oficinas que vem sendo oferecida pela Sema à população no Parque Natural Chico Mendes, duas vezes por mês.
Poucas pessoas sabem, mas cascas, talos e sementes de frutas e legumes são ricos em vitaminas, ferro, potássio, fibras e outros nutrientes, sendo muitas vezes mais nutritivos do que as partes convencionais dos alimentos. "Todos deveriam aprender a reaproveitar os alimentos, pois poucas pessoas têm esse costume", conta Ana Alice Moreira, de 63 anos. Ela e o esposo Clóvis, 62 anos, aproveitam o tempo livre da aposentadoria para aprender coisas novas, conhecer outras pessoas e trocar experiências nestas oficinas.
Antes de consumirmos cascas e talos, entretanto, Carmelo alerta para o perigo da ingestão de agrotóxicos presos a eles. Por isso, não se esqueça de deixar os alimentos de molho no vinagre ou até na água sanitária (em pequena quantidade). Cozinhá-los no vapor também ajuda a eliminar os resíduos de agrotóxico, e sem perder os nutrientes. Vale lembrar que os alimentos podem ser lavados normalmente com água, sabão (ou detergente) e esponja. Você deve estar atento, também, às condições sanitárias e higiênicas das sobras e aparas antes de consumi-las.
O conceito de reaproveitamento de alimentos, contudo, vai muito além de receitas com cascas, talos e sementes. Muitos de nós, ao criarmos novas refeições com pratos do dia anterior, já estamos reaproveitando alimentos. As carnes assadas e moídas, por exemplo, são transformadas em croquete, omelete, tortas, bolos salgados e recheios. O arroz de ontem é o bolinho de arroz, o risoto ou arroz de forno de hoje. Já o feijão pode ser transformado em tutu, feijão tropeiro, virado, bolinhos e sopa de feijão. O macarrão, por sua vez, dá lugar a saladas e misturas com ovos batidos.
Para reaproveitar hortaliças, as opções são farofas, panquecas, sopas e purês. Frutas maduras podem entrar nas receitas de doces, bolos, sucos, vitaminas e geleias. Peixes e frangos são utilizados em suflês, risotos e bolos salgados, enquanto o pão do dia anterior pode dar lugar a pudins, torradas, farinha de rosca e rabanada. Até o leite talhado pode ser reaproveitado... Que tal transformá-lo em doce leite, hein? Separamos algumas receitas com cascas de frutas e legumes para ajudá-lo a praticar o segundo R: Reutilizar. (Supervisão: Helena Gozzano)
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