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09/08/2012 | ELEIÇÕES 2012

Antonio Carlos Pannunzio (PSDB)

Notícia publicada na edição de 09/08/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 006 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

 

Cruzeiro do Sul - Candidato, para iniciar, uma pergunta objetiva. Qual será a principal marca do seu governo?

 

Antonio Carlos Pannunzio - Acho difícil colocar de antemão qual será a principal marca. Nós sabemos hoje quais são os anseios mais prementes da população. Há, por exemplo, um desejo de melhoria na área do atendimento à saúde, no atendimento médico na cidade, isto é uma coisa muito forte. A questão, conjugada inclusive, do trânsito e do transporte, que terão que ser equacionados face à nova realidade da cidade que cresceu, que enriqueceu, da frota que você, de forma brilhante, mostraram, aumentou em 50% nos últimos cinco anos. Nós chegamos hoje a 370 mil veículos licenciados em Sorocaba. E isto é bom. Constata-se que um desejo muito do brasileiro de ter o carro próprio, é isso. O brasileiro está tendo condições, o sorocabano está tendo condições de ter isso. Agora, evidente que o sistema viário não previa esse crescimento nesse tempo recorde. Ainda que obras estejam em andamento, e o prefeito Vitor Lippi está rasgando novas avenidas, um novo complexo viário chamado Sorocaba Total, que deverá dar uma desafogada no trânsito em algumas áreas da cidade, o problema existe. Muito carro. Essa quantidade de carro de certa forma desarticula o sistema tradicional de transporte coletivo. Embora a frota nova, embora a construção dos terminais de bairro que o prefeito Vitor Lippi fez, tudo isso tenha melhorado o sistema que eu deixei implantado há 20 anos, o fato é que nós estamos vendo dificuldades: as viagens estão demorando muito, às vezes os ônibus passam lotados e não esperam ou não conseguem parar para pegar passageiro num ponto. Essas coisas terão que ser equacionadas. Há uma demanda forte, porque fica constatado a falta de leitos em hospitais. Eu chamo de um hospital público, na zona norte particularmente, eu tenho esse compromisso. E tenho aqui uma meta bastante ambiciosa: fazer de Sorocaba uma cidade sustentável. Eu inscrevi a minha campanha, fui o primeiro candidato a fazer isso inclusive, junto aos órgãos ambientais. E será meta no nosso governo. Nós vamos ter que continuar crescendo, ampliando, diversificando as ofertas na área de educação. Na área da educação infantil, particularmente, das creches, que foi algo muito forte no meu primeiro governo, entre 89 e 92. Nós saímos de duas creches quando eu comecei a Prefeitura e deixamos 19 creches prontas. Essa questão de construir creches e contratar profissionais, que a creche passou a ser equipamento na área de educação, profissionais especializados para trabalhar com essas crianças, isso não teve um andamento satisfatório, particularmente em governos anteriores. O governo Vitor Lippi, agora, deverá aprontar até o final do ano eu acredito um total de 23 creches. Ou seja, ele dobra pelo menos o número de ofertas de vagas. Já que é um direito universalizado, ainda é pouco. Seguramente as creches terão que ter prioridade no nosso governo. E, a par com isso, nós temos aí o Parque Tecnológico, que é a grande ferramenta que vai propiciar a mudança de status na cidade, fazendo a sua introdução clara, definida no século 21 como uma das poucas cidades tecnológicas do mundo. Isso vai ser um grande diferencial, terá que merecer a nossa atenção. Mas eu diria que, em linhas gerais, nas coisas que eu mencionei falando de creches, de hospitais, da capacitação do pessoal da educação, vê-se que a prioridade do meu governo será o ser humano, será a área social.

 

 

Por ser uma candidatura de apoio do atual prefeito, Vitor Lippi, o senhor pretende ter uma característica de continuidade ou realmente dar uma identidade própria para a sua administração?

 

Veja, a administração do prefeito Vitor Lippi vem se destacando pela adoção de políticas públicas bastante ousadas. E vem acertando. A gente vê, pelos níveis de votação que ele teve durante a reeleição. Mesmo nas pesquisas que feitas agora, até mesmo por candidatos adversários, mostram que o nível de aceitação, de aprovação do governo Lippi, é algo fantástico. Mostra que o governo vem acertando no todo. Certamente nós vamos dar sequência, vamos dar continuidade a essas boas políticas, boas práticas que foram implementadas no governo Lippi. Agora, é evidente: Vitor Lippi é um, eu sou outro. Não obstante admirador do trabalho dele, certamente, por estar vivendo um momento sequencial ao momento dele como prefeito, eu terei que atender demandas novas que surjam. Tenho meus conceitos próprios, que certamente terão peso nessa coisa, e da equipe que eu pretendo ter comigo. Será um governo de dar sequência aos projetos do Vitor Lippi, mas evidentemente que novas coisas, novos projetos surgirão.

 

 

Trânsito e transportes. Com muitos carros nas ruas, o trânsito é um dos principais problemas da cidade. Qual é a sua ideia de solução. O senhor pretende dar prioridade ao transporte coletivo, isto é, aos ônibus e terminais urbanos, ou se pretende dar prioridade ao transporte particular, isto é, ao automóvel. Numa situação ou noutra, que medidas o senhor planeja tomar?

 

Veja, Araújo, nenhuma grande cidade no mundo prioriza o transporte individual sobre o transporte coletivo. Em circunstâncias anômalas, de repente as pessoas encontram alguma dificuldade para usar o transporte coletivo, no seu dia a dia, para ir para o trabalho, do trabalho para o estudo, para casa, e aí adotam o transporte individual. Mas a regra normal nos grandes centros urbanos do mundo é as pessoas usarem o transporte de massa, o transporte coletivo, desde que esse transporte de massa, esse transporte coletivo, ofereça boa qualidade, atenda aquilo que espera o munícipe. Tanto na questão do tempo de viagem como a qualidade do veículo, a segurança do veículo que o está transportando, a confiabilidade no sistema. Quem depende de transporte coletivo tem que ter certeza: se ele sai às 7 horas da manhã para estar às 7h40 no trabalho dele, ele tem que ter certeza de que em tal ponto de ônibus onde ele vai pegar a primeira condução, se for mão única, o ônibus vai passar naquele horário determinado, ele vai conseguir fazer o transbordo, se necessário, se não necessário ele vai até o local de destino, mas tem que ocorrer naquele tempo previsto. Então nós vamos ter que equacionar essa coisa pensando que a imensa maioria, tendo condições, vai adotar o transporte de massa, como historicamente foi em Sorocaba. Eu quero lembrar que, quando eu assumi a Prefeitura, em janeiro de 1989, o pior problema de Sorocaba, aquilo que em todas as pesquisas e em nossa conversa com a população ficava evidente, saltava aos olhos, era a péssima qualidade do transporte coletivo que tínhamos até então. Ninguém esquece o nome da já, Graças a Deus já foi embora há muito tempo, da Vima, que muito desgosto, muita tristeza trouxe para muita gente. E nós tivemos uma luta com a Vima, corporações aí, para tirar essa empresa da cidade e quebrar as resistência para implantar um sistema moderno naquela época. Aliás, fomos das primeiras cidades do Brasil a ter integração total. Talvez no que se refere à integração total, ou seja, pagar uma única tarifa e percorrer toda a cidade, eu acho que nós somos a primeira. Curitiba foi pioneira em relação à gente, mas com integração de alguns trajetos, não total. Nós fomos a primeira cidade no Brasil a ter as chamadas catracas eletrônicas, não sendo necessário o cobrador. Não é porque tínhamos alguma coisa contra o cobrador, mas o cobrador significava 15% a mais na tarifa que o usuário teria que pagar. Essas coisas todas foram muito significativas e nós tivemos competência para enfrentar, planejar um novo sistema, construir os terminais, renovar a frota, fazer as concorrências públicas para as empresas terem oportunidade de participar disso, e o sistema rodar. É o sistema que está rodando até hoje. Esse sistema demanda necessariamente, agora, alterações. É preciso pensar talvez em modais alternativos. Se houver algum trajeto de grande demanda de passageiro, nós precisamos pensar em modais alternativos. Não sei. Nós temos os trilhos da antiga Sorocabana, quando passa trem de carga, quando passa, porque quase não tem uso. Não há nenhuma necessidade de passar pelo centro de Sorocaba. Pode ser feito um desvio disso, é um trabalho difícil de conseguir. Mas o prefeito pode fazer pressão política, ir ao Congresso Nacional, conseguir apoio de bancadas de parlamentares, conseguir apoio de bancadas de parlamentares, como outras cidades já fizeram. E desviar esse trem de carga aqui do nosso centro. Em fazendo isso, nós vamos liberar trechos enormes, desde a área fantástica que ocupavam as antigas oficinas da Sorocabana, a Fepasa, o pátio de manobras e o leito da ferrovia, para veículos alternativos. Não sei se o Veículo Leve sobre Trilhos, pequenas composições, questões a serem estudadas, mas é uma possibilidade muito clara. Uma outra possibilidade que eu vejo, e aqui temos que ficar felizes com a constatação de que o Terminal Santo Antonio fica junto, onde poderiam ser dois terminais ferroviários, a estação da Sorocabana... Até porque, se nós tirarmos o trem de carga, e independente de tirarmos ou não, nós teremos o trem de passageiro, o trem rápido de São Paulo. Isso eu tenho conversado com o governador, com o secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo. No máximo em dois anos, dois anos e meio, Sorocaba estará servida com o trem rápido. Nós faremos de Sorocaba a São Paulo em 40 ou 50 minutos no máximo. Uma viagem com toda segurança, conforto, em trens modernos. Esses trens chegarão aqui no centro da cidade. Eles não usam o restante da malha ferroviária. Por isso pensar na utilização dela para outra coisa. Podemos e teremos que pensar em corredores exclusivos para os ônibus. As grandes avenidas que foram abertas agora pelo prefeito Lippi dão condições de implantar corredor exclusivo. O corredor exclusivo vai permitir maior velocidade no deslocamento dos veículos coletivos, o que vai fazer com que as viagens fiquem mais satisfatórias, menos problemáticas. Nós precisamos pensar ainda em algumas alterações na chegada, na região central, nos próprios terminais. Nós precisamos pensar na questão da rodoviária intermunicipal. Nós temos hoje uma única atendendo tanto os veículos do eixo Castello como do eixo Raposo. Isso não tem sentido mais na Sorocaba do século 21. Nós precisamos pensar no deslocamento: uma rodoviária no eixo Raposo para atender todos os municípios de toda essa região, e outra rodoviária no eixo Castello-Castelinho para atender os veículos do eixo Castello Branco-São Paulo. Possivelmente uma outra rodoviária é possível até pensar próximo do que poderia ser até ter um terminal ferroviário, já que nós vamos ter um terminal ferroviário de trem de passageiros. Poderemos ter um terminal a mais na região de Brigadeiro Tobias. Poderemos pensar lá numa rodoviária naquela condição se tiver uma ligação rápida com a cidade. Não podemos deslocar uma rodoviária que fique inacessível para o munícipe. Mas se tivermos transporte fácil, podemos pensar numa situação dessa. Existem muitas perspectivas para nós equacionarmos a questão dos transportes mexendo também no sistema viário. É preciso dar sequência ao Sorocaba Total, é preciso seguir com a complementação das obras que certamente o prefeito Lippi não terá tempo para terminá-las todas. E pensar que o Sorocaba Total é como se fosse assim o segmento de um círculo que corta Sorocaba a partir da Castelinho e vai permitir, passando pela região Norte, depois região Oeste, vai permitir a ligação com a Raposo Tavares. Nós teremos que dar sequência a isso, eventualmente fecharmos esse círculo, para ser realmente um anel perimetral mais externo. Isso é importante para desafogar o centro da cidade. Outra coisa, não depende apenas do poder público, mas está acontecendo: percebe-se claramente características de mudança na cidade. A zona norte, a zona oeste, muito fortemente agora, estão caracterizando regiões centrais com comércio próprio, com serviços próprios. Aí aquela possibilidde do cidadão, se tiver oferta de moradias, é outra área que precisamos trabalhar bastante, porque muito pouco foi feito em Sorocaba desde que eu deixei a Prefeitura. Quero lembrar aqui que, no meu tempo, nós construímos 5.326 moradias em quatro anos de governo. Não havia reeleição naquele tempo. Depois o governo que antecedeu Vitor Lippi praticamente não fez nada nessa área. E o Vitor Lippi deverá estar entregando aproximadamente três mil moradias até o final do seu governo. Então há uma demanda reprimida forte. Se eventualmente a gente conseguir construir conjuntos habitacionais próximos da região onde as pessoas trabalham, vão demandar também por menos transportes de longa distância. Essas coisas todas influirão na qualidade de vida que o sorocabano está tendo e possa vir a ter.

 

 

Após a construção dos dois terminais urbanos centrais, a Prefeitura construiu os terminais de transferência Ipiranga, Ipanema, Itavuvu, Éden e Brigadeiro. O próximo será o da Nogueira Padilha. O senhor acha que esse número esgota os terminais de transferência ou pretende construir mais terminais? Ou ainda vai ser estudada essa questão dos terminais de transferência?

 

É muito claro que essas áreas de transferência são bastante úteis. Elas são área onde há uma proteção para o usuário do transporte, um certo resgauardo, proteção de intempéries, e ele pode ali fazer o seu transbordo de veículo ou pegar um ônibus novo, chegando ali a pé. Elas são úteis e certamente deverão ser construídas em outras áreas da cidade. Mas eu quero lembrar aqui um fato bastante importante: quando eu implantei o sistema de integração, nós não tínhamos os cartões magnéticos com memória, como temos hoje, inclusive aqui no transporte de Sorocaba. Eram fichas magnéticas sem memória, que tinham que ser compradas nos locais adequados que eram vendidas e só podiam ser utilizadas num veículo. Então o transbordo tinha que acontecer necessariamente num terminal. Agora, com esses passes novos magnetizados, em qualquer lugar, ele tem validade de uma hora, o cidadão ali pega o ônibus na rua, se tiver num ponto de parada qualquer, se tiver que trocar de ônibus num outro ponto, com o mesmo cartão até uma hora, esse tempo terá que ser maior ou poderá ser maior, nós vamos estudar. Mas com o mesmo cartão, com a mesma tarifa paga, ele pode mudar de ônibus sem necessariamente ter que chegar num terminal. Então áreas de transferência com certeza serão construídas mais.

 

Em relação à Educação, as vagas nas creches têm sido um problema tanto para as crianças quanto para as mães e os professores e também têm provocado demandas de ações judiciais. Como o senhor pretende resolver essa questão?

 

Esse problema de vaga em creche, como qualquer outro problema ligado à implementação de direitos que foram universalizados pela nossa Constituição, têm que ser priorizado e ponto final. Se nós não tivéssemos recursos específicos na área de Saúde, especificados na própria Constituição Federal, até hoje o SUS seria meramente uma concepção teórica. E o SUS, com todas as críticas que possam fazer, e a maior delas é a demora para poder ser atendido. Mas, considerando um país das dimensões do Brasil, é um sistema que vem dando provas, vem se aperfeiçoando. Na questão de creches é a mesma coisa: nós temos um direito universalizado. Cada dia mais uma nova cultura, novas necessidades surgiram. Hoje é comum pai e mãe trabalharem. E é necessário, já que existe o direito, que a criança possa ser assistida por um equipamento do setor de educação que possa ficar com aquela criança por um período, para tranquilidade dos seus pais e para a própria formação daquela criança. A creche não é meramente para atender uma necessidade de trabalho de pais. A creche é para promover a socialização da criança, promover sua iniciação nos folguedos e brincadeiras infantis, sua alfabetização mesmo. Não é objetivo da creche alfabetizar. Mas aquele primeiro preparo, que é dominar um lápis de cor, começar a fazer desenhos, eventualmente ali desenhar letras, essas coisas todas, acontece na creche. Então ela tem um papel fundamental no desenvolvimento da criança. Nós vamos ter que encarar isso com muita coragem. Como fizemos no passado, como o governo Vitor Lippi vem fazendo agora. Priorizando. Creche será prioridade. E o orçamento da cidade, graças ao crescimento econômico, está crescendo. Nos próximos dias começa a funcionar a Toyota. Nós vamos ter reflexos disso já no orçamento de 2013 com certeza. O recurso orçamentário que venha a mais, antes de qualquer obra desnecessária ou faraônica simplesmente para pseudo-grandeza de quem a fez, nós precisamos pensar no povo, na nossa gente, e aí, sim, aplicar todos os recursos, por exemplo, em creches, na saúde, na qualificação das pessoas.

 

Mas existe uma estimativa real do número de vagas que Sorocaba precisa atualmente. Vocês vão priorizar algum bairro especificamente?

 

Nós não temos, eu pelo menos não tenho nenhum número que me diga exatamente o número de vagas para creche. O que eu sei, porque as pessoas nos abordam e já vi matérias também publicadas em jornais, é que há uma demanda muito grande e insatisfeita. Mesmo dobrando o número de vagas como o Vitor Lippi está fazendo até o final do ano, certamente essa demanda não será atendida. Nós precisamos pensar em duas coisas com relação a creche: a localização estratégica, por conta de facilitar o trabalho dos pais, e ao mesmo tempo quantidades de vagas para crianças em creche atender toda a demanda. E pensando ainda que nós não podemos fazer super creches. Do ponto de vista pedagógico não é interessante aglomerar quinhentas, mil crianças num mesmo espaço. As creches terão que ser como são, com 120, 150 vagas por unidade. Esse, pedagogicamente, é o melhor projeto, essa é a linha que nós vamos seguir.

 

Na saúde, a Prefeitura mantém um Pronto Socorro Municipal em parceria com a Santa Casa. O senhor pretende manter essa parceria ou tem planos de modificações. E quais são os seus planos para a rede municipal de saúde como um todo?

 

Primeiramente, a parceria com a Santa Casa é fruto de contrato entre a Prefeitura e a Santa Casa. E certamente eu pretendo respeitar todos os contratos. É importante que essas parcerias produzam os resultados almejados e esperados pela sociedade. Aquele que oferece um trabalho em parceria com a Prefeitura tem que necessariamente poder atender todas as demandas. Se a Santa Casa tiver essas condições, a Santa Casa tem 200 anos de história, de tradição conosco, de bons serviços prestados aqui em Sorocaba. Se ela puder atender à demanda, não há porque não continuar com ela. Se eventualmente a demanda estiver superando a capacidade dela, também não há porque não criar um outro espaço onde possamos fazer esse atendimento médico-hospitalar. Aliás já falei aqui no início: que um dos propósitos, uma das metas que eu já assinalei, é a criação de um hopital público na zona norte da cidade. E por que a zona norte? Porque a grande concentração de hospitais ou é a região central ou na zona sul da cidade. Então vamos ter que pensar em atender mais de perto essa população. Isso será feito, com certeza.

 

E os recursos para esse hospital? Haverá recursos, uma vez que todos os planos para a área da saúde tem um custo de implantação muito alto?

 

Exatamente por isso que eu estou usando com muito cuidado a expressão adequada: hospital público. Eu não usei a expressão hospital municipal. Até construir um prédio para hospital, eu diria que a Prefeitura de Sorocaba tem condições de fazê-lo. Mas o custeio desse hospital, a manutenção desse hospital, é muito onerosa. Sendo a palavra genericamente público, nós poderemos ter parceiros: o próprio Estado, o Sistema Único de Saúde, organizações do terceiro setor. Nós vamos buscar recursos para que o sorocabano possa ter o melhor atendimento. O importante é que eles possam ser atendidos com qualidade.

 

A administração municipal tem sido alvo de vários processos com relação à Lei das Licitações. O senhor pretende cumprir rigorosamente esta lei ou o senhor acredita que em alguns casos é possível o prefeito abrir mão do que isso é permitido para atender uma emergência?

 

Abrir mão da lei o prefeito não tem o direito. É uma lei federal, inclusive. Já sofreu emendas. Eu mesmo fui autor de uma emenda que alterou alguma coisa na Lei de Licitações, a 8.666, que é a lei que está em vigência até hoje. É evidente que outras emendas poderão alterar o conteúdo da lei, mas tudo isso dependerá de iniciativas no Congresso Nacional. Na vigência da lei, com o texto atual, necessariamente ela será cumprida. Situações emergenciais são contempladas com medidas emergenciais, que constam inclusive da própria legislação em que circunstância ela pode ser adotada, não pode ser adotada para as coisas do dia-a-dia.

 

E quais circunstâncias o senhor acredita que isso é possível?

 

Situações emergenciais, de calamidade, essas coisas, você pode com certeza adotar saídas que não as tradicionais contempladas ali na 8.666. Somente nessas situações. Nas demais, as leis foram feitas para serem seguidas. E nós, a exemplo do que fizermos no passado, vamos continuar fazendo, se viermos a ser eleito prefeito de Sorocaba novamente.

 

E para encerrar, há cidades que cresceram muito e pagam um preço alto por isso. O senhor vai continuar a política de atração de mais investimentos para Sorocaba? Ou poderá reavaliar essa política diante da necessidade de preservar a qualidade de vida do município? O crescimento de Sorocaba merece reavaliação ou tem que continuar a qualquer custo?

 

O crescimento de Sorocaba, esse forte trabalho de atração de indústrias para cá, e agora também de grandes casas comerciais, shopping centers, Sorocaba acabou sendo um polo de região. Mas essas novas indústrias que estão vindo, exemplo da Toyota, trarão outras indústrias, que não necessariamente serão situadas em Sorocaba. Nesses municípios lindeiros no eixo da Castello, muitos desses benefícios receberão essas novas indústrias. O que é bom. Porque a região se desenvolverá de forma homogênea. Não haverá um desenvolvimento concentrado exclusivamente aqui em Sorocaba e aí um possível e decorrente inchaço da cidade. Nós não desejamos isso. Nós não estamos aqui sonhando com uma megalópole, uma cidade com mais de um milhão de habitantes. A cidade vai ter que crescer, há um crescimento até vegetativo. Mas na medida do possível a cidade mantenha a qualidade de vida e aprimore a qualidade de vida que os seus cidadãos possam desfrutar. Esse é o nosso objetivo, não é ter uma cidade de um milhão, um milhão e meio. Não desejamos isso. Desejamos a melhor qualidade de vida para os sorocabanos.

 

Então, na sua opinião, o desenvolvimento tem que ser regional?

 

O desenvolvimento necessariamente será regional. E daí a política que o governo já vem adotando, e Sorocaba está contemplada neste contexto, para ser sede de região metropolitana.

 

*Assista ao vídeo com a entrevista do candidato Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) no portal www.cruzeirodosul.inf.br a partir das 15h de hoje

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