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23/09/2012 | NA VILA JARDINI

Corpo é encontrado queimado perto de córrego na Vila Jardini

Depois de morto, o travesti foi levado até o final da rua Tamoios

 

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Marcelo Roma
marcelo.roma@jcruzeiro.com.br


Um homem com formas femininas teve o corpo queimado na margem de um córrego no final da rua Tamoios, na Vila Jardini. O desconhecido pode ter sido torturado antes de ser morto. Ele tinha ferimento no pescoço e estava com as mãos e pés amarrados.

O crime, ocorrido durante a madrugada de ontem, assustou moradores da vizinhança. Foram ouvidos barulho de uma motocicleta e um carro. O corpo da vítima porém só foi encontrado de manhã. Quando policiais chegaram, no início da manhã, ainda havia fumaça.

De acordo com o delegado Acácio Aparecido Leite, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o homem foi morto em outro lugar e possivelmente levado para a beira do córrego por mais de uma pessoa. O ponto onde estava o corpo faz fundo com algumas casas da rua Guarani. Uma moradora disse à reportagem que acredita que o corpo foi levado para a margem do córrego entre 3h e 4h.

O desconhecido foi quase totalmente queimado, restando partes das mãos e das costas. As mãos e pés tinham sido amarrados com algum tipo de corda e o corpo enrolado num edredon. Havia ainda arame em torno do edredon.

Conforme o delegado, que esteve no local, restaram pedaços de uma blusa verde e o elástico da cueca, da marca D"Uomo. O homem era branco, magro e tinha cerca de 1,65 metro de altura. O rosto também foi queimado. Uma tatuagem de ideograma japonês ou chinês na costas pode ajudar na identificação da vítima, por meio do reconhecimento por parte de parente ou conhecido.

As impressões digitais puderam ser coletadas e auxiliarão no processo de identificação. Até ontem não havia boletim de ocorrência registrado na polícia sobre o desaparecimento de pessoa com as mesmas características físicas.

As formas femininas indicam que o homem podia ser um travesti. Apesar de a vítima não ter sido identificada, essa informação serve de ponto de partida para a investigação, diz Leite.

A avenida General Carneiro, onde normalmente travestis se oferecem para programas sexuais, fica perto da Vila Jardini. Quem tiver qualquer informação que possa ajudar no esclarecimento do crime deve avisar a Polícia Civil, pelo telefone 197.

Repúdio

Felipe de Melo Martins, coordenador setorial LGBT do PT-Sorocaba e vice-presidente do grupo Diversidade, enviou à redação nota de repúdio pelo crime ocorrido. "Peço que os órgãos competentes estejam sensíveis ao fato e que o tratamento e a segurança sejam uma rotina. O travesti merece todo o respeito e o principal direito à vida. A vida e a integridade física do cidadão devem ser garantidas e respeitadas em todos os segmentos, principalmente os mais marginalizados." Ele lembra que Sorocaba já dispõe da Lei nº 8292 (5 de novembro de 2007 de Sorocaba, projeto de Lei nº 140/2006 de autoria da vereadora Tânia Bacceli) que pune toda e qualquer forma de discriminação por orientação sexual, prática de violência ou manifestação que atente contra a cidadã e o cidadão homossexual, bissexual, travesti, transexual ou transgênero. "Vamos trabalhar ainda este ano para sua regulamentação na cidade", encerra.


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