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COMÉRCIO EXTERIOR - [ 21/05 ]

Exportações caem 19% em abril; importações têm queda de 48%

Carolina Santana
Notícia publicada na edição de 21/05/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno C - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
 
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  • Bruno Cecim Remessa de produtos das empresas sorocabanas para o Exterior foram menores no mês passado; as compras no mercado externo também ficaram reduzidas

Empresas locais venderam US$ 113 milhões contra US$ 141 milhões registrados em abril de 2008

A balança comercial sorocabana, em abril, registrou queda tanto nas exportações quanto nas importações. Comparando com abril do ano passado, as vendas para o mercado externo sofreram retração de 19,38%. Os números foram divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e mostram que no mês passado, a cidade vendeu US$ FOB 113.915.814 contra US$ FOB 141.303.529 registrados no mesmo mês de 2008.

Nas importações, a cidade também registrou queda de 48,61%. As empresas sorocabanas, fecharam o último mês com US$ FOB 99.202.462 comprados no exterior, valor que durante o mesmo período do ano anterior ficou em US$ FOB 193.046.384. Se as comparações forem feitas tendo o mês de março como referência, a queda nas exportações foi de 9,04% e de 9,53% nas importações.

Recuo também de janeiro a abril

No primeiro quadrimestre do ano - janeiro a abril - as exportações sorocabanas tiveram queda de 21,63%. De janeiro a abril a cidade vendeu US$ FOB 393.483.681, valor que em 2008 era de US$ FOB 502.084.845.

Para o economista Aurilio Sérgio Costa Caiado, também professor do curso de Ciências Econômicas da Universidade de Sorocaba (Uniso), os números da balança comercial apresentarão melhoras apenas quando houver a recuperação do mercado externo.

Caiado lembra que em Sorocaba a exportação está muito focada nos setores de autopeças, eletrônicos e peças para energia eólica, produtos que dependem do reaquecimento do consumo no cenário internacional. Enquanto não houver retomada de crescimento nos países líderes como Estados Unidos, Japão, China e Europa, principalmente as exportações continuarão em queda, pondera. O dólar FOB é livre de tributos e taxas, ensina.

Além da questão do consumo externo estar desaquecido, Caiado cita a variação cambial e a recente valorização do real frente ao dólar como fatores negativos para as exportações de um modo geral.

Ele explica que com a valorização da moeda local, o custo de produção para os empresários brasileiros aumenta e as empresas acabam por perder competitividade no cenário externo. Nos últimos 30 dias o real valorizou-se mais de 15% e isto dá um acréscimo do produto em valor equivalente., argumenta o professor.

EUA ainda lideram

Apesar da onda de instabilidades financeiras que atingiu o mundo inteiro, os Estados Unidos continuam aparecendo como principal destino dos produtos 'made in' Sorocaba.

Em abril, a exemplo do último ano, a terra do tio Sam foi responsável por cerca de 30% das vendas sorocabanas no mercado externo. Apesar disto, o valor dos negócios fechados entre Sorocaba e EUA sofreu queda de 24,83%. Até o momento, o país que foi berço da crise econômica mundial comprou US$ FOB 120.655.729. No mesmo período do ano passado, este valor era de US$ FOB 160.500.983.

O México, que em 2008 comprou US$ FOB 12.330.214 de Sorocaba, este ano saltou para US$ FOB 46.569.863 e, com isto, atualmente, o país ocupa a segunda colocação entre os que mais compraram de Sorocaba. A alta foi de 277,69%.

A China é um país que também merece destaque com relação ao destino da produção local. Em nono lugar no ranking e com uma fatia de 2,39% na participação total das vendas feitas pelas indústrias sorocabanas, este país soma, atualmente, US$ FOB 9.392.406 de produtos comprados no mercado local.

Com isto, houve aumento de 65,46% do valor já que em 2008, neste mesmo período, foram US$ FOB 5.676.540. Caiado observa que este quadro ajuda a explicar a queda nas exportações. Segundo ele, esses países que aparecem como principais parceiros comerciais da cidade, compram do mercado local basicamente produtos para abastecer a indústria automobilística.

Importações são substituídas

A queda que também foi registrada nas importações, para Caiado pode ser explicada pela valorização do real que, segundo ele, está mais caro do que a média registrada nos últimos quatro anos. Para o professor, os preços dos produtos praticados no mercado externo podem ter levado os empresários a substituírem os produtos comprados no exterior por opções nacionais. O próprio produtor opta por substituir o que está caro pela produção nacional, o que é benéfico pois movimenta a indústria nacional, comenta ele.

Assim como nas exportações, os EUA também aparecem como principal fornecedor das indústrias sorocabanas, seguido pela China e Alemanha.

No acumulado entre janeiro e abril, os dados do Ministério do Comércio Exterior mostram que houve queda de 39,77% de um ano a outro quando as compras feitas de empresas estrangeiras caiu de US$ FOB 706.553.022 para US$ FOB 425.512.610.

O professor lembra que boa parte das importações são motivadas pela produção que será escoada tanto para o mercado interno quanto externo. Sendo assim, se há retração nas vendas para o mercado externo, é lógico que as importações também caiam. Principalmente na produção de eletrônicos, muitos componentes são importados e se não há exportação também não teremos importação, pondera o economista.

Caiado acredita que no momento a produção industrial, como mostram os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), está passando por um momento de estabilização. Este fato, segundo ele, sinaliza para uma retomada, mesmo que lenta, do emprego industrial na região.

Mercado local é saída

O economista afirma que neste momento as empresas da cidade devem voltar-se mais para o mercado interno. Segundo ele, o Brasil ainda tem um bom potencial de consumo que combinado com as políticas de renúncia fiscal do governo podem ser uma boa saída para as empresas que perderam espaço no mercado internacional. No meu entendimento a economia brasileira sairá da crise antes do mercado externo mas por conta da política interna, mercado interno. Ou essas indústrias voltam sua produção para o mercado interno ou vão continuar tendo dificuldades, alerta.

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