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Indicado como diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Aldo Luiz Mendes é descrito como muito preparado, competente, técnico e sério por três pessoas que o conhecem de perto: o ex-presidente da Andima Alfredo Neves Penteado Moraes, o especialista em contas públicas Raul Velloso e o ex-presidente do Banco do Brasil Eduardo Augusto Guimarães.
Para o ex-presidente da Andima, hoje Anbima, que teve Aldo Mendes como um de seus vice-presidentes, não haverá grandes mudanças na Diretoria de Política Monetária do BC em relação ao período em que foi comandada por Mario Torós. "Do ponto de vista do Copom, não muda nada", afirmou Penteado, argumentando inclusive que o Copom toma decisões em colegiado e seguindo parâmetros técnicos.
Penteado afirmou, porém, que há diferenças de perfil profissional entre Torós e Mendes. "O Mario é um operador, de mesa, de compra e venda. O Aldo é mais estrategista. Ele entende bastante de banco de investimento, de mercado de capitais, de finanças corporativas, mas não pega telefone (para operar)", disse Penteado. O ex-presidente da Andima também disse que Mendes, "como todo mundo", considera que os depósitos compulsórios das instituições financeiras no BC no Brasil são altos. "É uma posição mais ou menos generalizada de que os compulsórios aqui são altíssimos. O Brasil é um ponto fora da curva nisso", afirmou.
Amigo de Mendes, Raul Velloso também considera que a entrada dele na diretoria do BC não deve provocar mudanças substanciais. "Não acho que a presença do Aldo vá alterar nada no comportamento do BC", disse Velloso. De acordo com ele, Mendes é um funcionário de carreira do BC que fez doutorado na USP e vai encarar o cargo como uma missão: um momento de fim de governo, com um presidente do BC que pode deixar o cargo em breve, próximo a eleições, quando o BC "deve ficar sob tiroteio".
A tese de doutorado de Mendes foi defendida em outubro de 1996 e seu título é: "O perfil de gastos do setor público no Brasil após a redemocratização". Sua orientadora foi a professora Silvia Maria Schor e da sua banca examinadora fizeram parte o ex-ministro do Planejamento João Sayad e o economista Roberto Luis Troster. A nota média do trabalho foi 9,5.
Segundo Velloso, Mendes é preocupado com a estabilidade financeira, "totalmente afinado com o regime de metas de inflação", e favorável à independência do Banco Central. "Ele não tem mais dúvidas sobre isso", disse. O especialista em contas públicas ressaltou que Mendes conhece bem o mercado, a economia e "é um homem de governo". Para ele, isso é positivo já que "não vai levantar a questão sobre qual área do setor privado representa".
Para Eduardo Guimarães, "Aldo é uma escolha para a diretoria que vai tranquilizar o mercado". Em sua gestão no BB em 2001 e 2002, Guimarães conheceu Aldo Mendes e o promoveu de gerente a diretor de Finanças. Depois, Mendes chegou a vice-presidente de Finanças do BB, mas se desligou da instituição. Desde junho deste ano, Mendes passou a ser presidente da seguradora Aliança do Brasil, do grupo do BB.
Aldo Mendes tem 51 anos. "Aldo é funcionário de carreira do BB, conhece bem o mercado e seria um bom nome também para a presidência do Banco do Brasil", afirmou Guimarães. O economista disse não saber que estilo Aldo Mendes terá na condução da política monetária no Banco Central, se aprovado em sabatina no Senado, nem sua posição em relação a compulsórios ou à Selic.
Guimarães sabe, porém, que ele não tentaria forçar uma redução dos juros que não estivesse baseada em dados técnicos. "Ele não faria nenhuma loucura, é um cara muito sério, muito competente", disse Guimarães. Ele contou que esteve com Mendes pela última vez no ano passado em um show de Caetano Veloso. "Ele estava muito animado com o crescimento do Banco do Brasil na crise", disse. (Adriana Chiarini - AE)
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