Jornal Cruzeiro do Sul

03 SET 2010 Sorocaba SP

Fundação Ubaldino do Amaral

Rádio Cruzeiro FM 92,3

Espaço do Leitor

Apoiamos


Sorocaba

BUSCA

Busca detalhada
PROFISSÃO EM ALTA - [ 10/01 ]

Setor imobiliário amplia mercado para corretores

Rodrigo Gasparini
Notícia publicada na edição de 10/01/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 4 do caderno C - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
 
Tamanho do texto (somente para monitor): Aumentar Diminuir
Veja mais fotos desta matéria
  • Fábio Rogério Ter carteira do Creci é requisito para trabalhar na área

Em Sorocaba trabalham 958 corretores de imóveis; nas 76 cidades abrangidas pela delegacia regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) atuam cerca de 2 mil corretores e, por mês, de 25 a 30 pessoas dão entrada em processos no Creci para obter o credenciamento e poder atuar na área.

Número que cresceu significativamente com relação há 3 anos, quando apenas um ou dois processos eram abertos mensalmente. Atualmente, a profissão de corretor de imóveis está em alta. E a tendência é melhorar ainda mais, ressalta Luiz Otávio Landulpho, delegado regional do Creci.

A expansão do setor ocorreu nos últimos anos com o avanço do setor imobiliário e a abertura de cursos para formar corretores. Atualmente, várias imobiliárias têm anunciado nos classificados do Cruzeiro do Sul, com o objetivo de contratar novos profissionais ou até mesmo estagiários.

Requisitos

Para se tornar um corretor, é preciso fazer o Curso Técnico em Transações Imobiliárias numa escola reconhecida pelo Ministério da Educação e pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci). O mercado oferece tanto cursos presenciais quanto à distância, num valor médio total de R$ 1,2 mil. É muito importante procurar escolas credenciadas, pois se fizer o curso numa escola que não é credenciada, o diploma não vale nada, alerta Luiz Otávio.

A realização de um estágio supervisionado também é obrigatória. Ao término do curso, o candidato a corretor recebe o diploma e dá entrada na documentação, que é analisada por uma comissão do Conselho para, então, poder exercer legamente a profissão.

Quem trabalha como corretor sem possuir a autorização do Creci comete crime e está sujeito às sanções impostas pela lei federal e pelo próprio órgão. Em Sorocaba, uma lei municipal prevê que as placas anunciando venda ou aluguel de imóveis precisam ter a identificação do proprietário ou o nome e número de registro do corretor.

Mercado promissor

Com a expansão industrial e imobiliária de Sorocaba, a cidade se tornou um campo de trabalho promissor para os corretores. Maiores possibilidades de negócios representam mais ganhos a quem trabalha na área. Com o mercado de trabalho aberto, muita gente resolve investir na carreira para obter um emprego, mudar de ramo ou mesmo garantir um ganho extra. O melhor profissional é aquele que tem contatos. Nada impede dele ser médico ou advogado, por exemplo, e também atuar como corretor, explica Luiz Otávio.

A lei não prevê a obrigatoriedade do corretor estar ligado a uma imobiliária, permitindo que ele atue como profissional autônomo. O horário de trabalho flexível é outro atrativo para os que pretendem ingressar no mercado. Mesmo quem atua ligado a uma imobiliária, na maioria das vezes é prestador de serviços e não possui horário fixo de trabalho.

Conhecer bem a cidade e o mercado imobiliário podem ser diferenciais para os corretores que atuam na comercialização de imóveis de terceiros. Porém, os que estão começando a carreira podem trabalhar nos plantões de vendas, comuns em loteamentos e condomínios.

A meta do Creci atualmente é tornar o corretor de imóveis um profissional valorizado e reconhecido. Muita gente pensa que é só chegar e vender, que ganha dinheiro no mole. Mas não é assim, defende Luiz Otávio.

A falta de valorização, aliás, é a principal reclamação do Creci, que inclusive promove uma campanha publicitária para tentar reverter este quadro. O corretor é o facilitador, o elo entre quem compra e quem vende, argumenta o delegado do Creci.

Ser imparcial, não pendendo para qualquer um dos lados envolvidos na negociação, é um dos pontos do código de ética dos corretores. O documento prevê que o profissional deve, ao oferecer um negócio, apresentar dados rigorosamente certos, nunca omitindo detalhes que o depreciem, informando o cliente dos riscos e demais circunstâncias que possam comprometer o negócio.

Quanto ganha

A remuneração dos corretores de imóveis é feita com base numa tabela de comissões definida pelo Creci. Na venda de propriedades urbanas ou industriais, o profissional deve receber de 6% a 8% do total negociado. No caso de imóveis rurais, a comissão varia de 6% a 10%. Já vendas judiciais preveem comissão de 5%.

No caso de imóveis alugados, o corretor recebe o equivalente a um mês de aluguel (ou 30% sobre o valor recebido no caso de temporada de até três meses). Para a venda de emprendimentos imobiliários, a comissão é de 4% a 6%. A tabela prevê ainda remunerações específicas para diversos casos, como administração de bens, loteamentos, administração de condomínios, compras, ativos imobiliários e pareceres.

Receber valores que estejam fora das faixas de comissão estabelecidas pelo Creci fere o código de ética da entidade e deixa o corretor sujeito à fiscalização. Além do que, isso desvaloriza a profissão, afirma o delegado.

Cuidados necessários

Quem vai comprar, vender ou alugar um imóvel deve se certificar de que o corretor envolvido no negócio possui autorização do Creci para trabalhar. Isso é possível acessando a página do Conselho na internet (www.crecisp.org.br). Clicar em Página Oficial e posteriormente no botão Corretores, disponível na aba Busca, na barra lateral colocada do lado esquerdo do site. É possível fazer a busca pelo número do Creci, nome ou cidade do corretor. A Delegacia Regional do Creci em Sorocaba também fornece as informações, na rua Arthur Gomes, 52 - Centro, telefone (15) 3233-6023.

Autonomia e horário flexível são atrativos

Alguns corretores de imóveis são autônomos, enquanto outros trabalham para imobiliárias. Mas, mesmo os do segundo grupo, possuem um grau de flexibilidade pouco visto em outras profissões. Na maioria, são prestadores de serviços que utilizam a estrutura das imobiliárias sem terem salário fixo definido.

Quem trabalha como autônomo fica com a comissão integral (6% do valor da venda, na maioria dos casos). Já os corretores ligados a uma imobiliária ganham 30% do valor das comissões. Outros 10% são destinados a quem indicou o imóvel (geralmente outro corretor) e o restante vai para a empresa. Na venda de um imóvel de R$ 100 mil, por exemplo, o corretor vinculado à imobiliária fatura R$ 1,8 mil.

Em contrapartida, as empresas fornecem estrutura, como linhas de telefone, acesso à internet, anúncios em jornais e carteira de clientes. Gastos com transporte e alimentação são por conta do corretor. Mesmo não pagando salários fixos, algumas colocam metas de vendas.

A política de contratações não foge do que é feito costumeiramente pelas empresas dos mais diversos ramos. As imobiliárias sérias exigem registro no Creci e um bom currículo. Às vezes alguma indicação também ajuda. É bem semelhante ao processo de qualquer empresa, conta o corretor Davi Alvarenga, que está há 11 anos no mercado e trabalha vinculado a uma imobiliária de Sorocaba.

Histórias da corretagem

Um dos corretores mais antigos de Sorocaba pediu baixa na carteira do Creci e encerrou a profissão no final de 2009. Depois de 41 anos atuando no mercado, William Leite de Oliveira resolveu pendurar as chuteiras. Ele também é advogado e exerce a profissão até hoje, aos 81 anos de idade. Exemplo de quem soma a corretagem de imóveis com outra função. E foi homenageado recentemente numa solenidade do Creci em Sorocaba.

Quem também impressiona pelo tempo dedicado à corretagem é Lupércio Mariano da Silva, na área há 44 anos. Quando começou, era funcionário do grupo Votorantim e fez a comercialização de um loteamento com 2,5 mil terrenos. Ao se desligar da empresa, em 83, passou a trabalhar como autônomo, função que exerce até hoje, aos 76 anos de idade.

Para quem está interessado em iniciar a carreira eles aconselham: Precisa ser perseverante, paciente e trabalhar, trabalhar, trabalhar, resume William.

Esta matéria foi acessada 615 vez(es).

Comentários

  • JOSÉ BEZERRA DA COSTA [ 10/01/2010 ]

    Excelente esta matéria. Informativa e explicativa.

  • Carlos Alberto Lopes de Carvalho [ 10/01/2010 ]

    Gostei muito, contudo creio que alguns corretores não

    estão cientes da nova lei do inquilinato, por que?

    Grato

Comente a matéria

(Utilize este espaço somente para comentar a matéria desta página. Para outros assuntos, utilize o Espaço do Leitor localizado acima à direita)

Regras:
  • Os comentários não são publicados automaticamente;
  • É obrigatório o preenchimento de todos os campos do formulário;
  • Só serão aceitos comentários dos internautas com identificação completa, nome e sobrenome;
  • Comentários com ofensas e ataques pessoais, palavras de baixo calão ou ofensivas aos costumes e entidades, serão automaticamente excluídos;
  • Todos os comentários e questionamentos serão analisados pela redação do jornal on-line antes de uma possível publicação no site;
  • Os comentários podem ser editados;
  • A revisão dos comentários refere-se apenas ao conteúdo editorial, e não à gramática e ortografia;
  • Evite escrever em caixa-alta. Na internet, manifestar-se dessa forma é o mesmo que gritar;
  • Este espaço é destinado somente a comentários. Outros questionamentos, reclamações, etc, devem ser encaminhados à redação pelo “Espaço do Leitor”;
  • A análise e possível publicação dos comentários é feita entre 13h30 e 20h;
  • Aos sábados, domingos e feriados, devido ao esquema de plantão desta redação, os comentários podem não ser publicados. Nesse caso o leitor deve aguardar a possível publicação para o próximo dia útil;
  • Os comentários publicados no site são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do jornal.