Jornal Cruzeiro do Sul

03 SET 2010 Sorocaba SP

Fundação Ubaldino do Amaral

Rádio Cruzeiro FM 92,3


Espaço do Leitor

Apoiamos


Sorocaba

BUSCA

Busca detalhada
CRIANÇAS VIOLENTADAS - [ 15/05 ]

Infância assassinada

Maria Irene Maluf
Notícia publicada na edição de 15/05/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno Ela - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
 
Tamanho do texto (somente para monitor): Aumentar Diminuir

18 de maio - Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes Crianças e Adolescentes

Por mais que a violência nos diversos setores da sociedade nos impressione, atemorize e cause repulsa, nada é tão lastimável e chocante quanto o abuso e o estupro de meninas cujo autor é justamente um homem que lhes deve socialmente proteção: o pai, o padrasto, o avô, o irmão...

Pior ainda quando vemos que a vítima não é uma só vez manipulada pelo poder dos adultos: quando grávidas essas garotinhas de corpo e mente violada, correm o risco de perder a própria vida enquanto a decisão sobre o que fazer para diminuir a sua dor e lhes emprestar um mínimo de dignidade, tramita entre longas reflexões teóricas, o descaso e o preconceito.

Donas de corpos ainda imaturos para a sexualidade e logicamente também para a maternidade, muitas vezes sub-nutridas, crianças de todas as idades, muitas vezes nascidas sob o signo da irresponsabilidade, da indiferença e do acaso, coabitam com adultos que não lhes prestam o cuidado que a idade exige e nem o atendimento mínimo necessário para qualquer desenvolvimento saudável, quer físico, emocional, mental, nem no aspecto preditivo, nem no preventivo e nem mesmo no remediativo. Largadas à própria sorte, essas crianças formam um contingente de semi-analfabetas, desnutridas, abandonadas e fáceis presas de uma vida de exploração.

Conclusão: cada vez mais depauperadas, abusadas física, mental e moralmente, chegam à adolescência sem qualquer formação e ainda são julgadas por atos pelos quais não tiveram poder de opção e por segmentos de todas as esferas, quer social, quer religiosa e chegam a ser expurgadas por quem lhes deveria ofertar compreensão, apoio, educação e um mínimo de dignidade humana.

Como é possível ignorar tantas vezes essas meninas abusadas? Onde se esconde nesse momento o bom senso, a humanidade, o sentimento de amor pelo próximo? São crianças que deveriam estar brincando, estudando, sendo amadas, respeitadas e protegidas por seus familiares, pela sociedade, pelo Estado e pela Igreja. Onde estava sua mãe, seu pai, que não preveniu o perigo, não a protegeu? Onde estavam seus professores que não perceberam ou não denunciaram as suspeitas que as marcas do abuso, da violência sempre deixam no corpo, no comportamento e até na capacidade de aprender? Onde estavam os adultos que lidam com as comunidades onde vivem tais meninas?

Na verdade, o maior abuso ainda não é só a violação física e mental, o descaso, o desrespeito. Abuso maior é a repetição de casos e mais casos, anos a fio, sem que os culpados, os responsáveis sejam punidos de modo exemplar e sejam - esses sim - banidos da sociedade, mantidos longe da família e principalmente da vítima, que com seu comportamento abominável, arrancou da infância.

Maria Irene Maluf é especialista em Educação Especial e em Psicopedagogia e membro honorário da Associação Portuguesa de Psicopedagogos

Esta matéria foi acessada 653 vez(es).

Comentários

  • marta tayana dias rocha [ 18/09/2009 ]

    eu achei otima a materia pois tenho 11 anos e ia fazer um trabalho sobre violencia

Comente a matéria

(Utilize este espaço somente para comentar a matéria desta página. Para outros assuntos, utilize o Espaço do Leitor localizado acima à direita)

Regras:
  • Os comentários não são publicados automaticamente;
  • É obrigatório o preenchimento de todos os campos do formulário;
  • Só serão aceitos comentários dos internautas com identificação completa, nome e sobrenome;
  • Comentários com ofensas e ataques pessoais, palavras de baixo calão ou ofensivas aos costumes e entidades, serão automaticamente excluídos;
  • Todos os comentários e questionamentos serão analisados pela redação do jornal on-line antes de uma possível publicação no site;
  • Os comentários podem ser editados;
  • A revisão dos comentários refere-se apenas ao conteúdo editorial, e não à gramática e ortografia;
  • Evite escrever em caixa-alta. Na internet, manifestar-se dessa forma é o mesmo que gritar;
  • Este espaço é destinado somente a comentários. Outros questionamentos, reclamações, etc, devem ser encaminhados à redação pelo “Espaço do Leitor”;
  • A análise e possível publicação dos comentários é feita entre 13h30 e 20h;
  • Aos sábados, domingos e feriados, devido ao esquema de plantão desta redação, os comentários podem não ser publicados. Nesse caso o leitor deve aguardar a possível publicação para o próximo dia útil;
  • Os comentários publicados no site são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do jornal.