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SUCESSÃO - [ 15/05 ]

Para Aécio, estratégia tucana deve reconhecer avanços de Lula

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O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, defendeu nesta 6ª feira (15) no Rio que o PSDB reconheça os pontos positivos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha presidencial de 2010, sem abrir mão de apontar as falhas da gestão petista, como a expansão dos gastos de custeio. Pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio elogiou o Bolsa-Família e pregou uma campanha eleitoral "sem radicalismos", o que poderia, na concepção dele, aumentar as possibilidades de cooperação entre os dois partidos em torno de projetos de consenso no governo "pós Lula". Para ele, o PSDB precisa renovar o discurso antes de definir um nome para concorrer em 2010.

"Não podemos negar a realidade. O governo Lula trouxe avanços importantes, grande parte em função do governo anterior, da estabilidade da economia. Gostaria inclusive que o governo Lula também reconhecesse os avanços que vieram do governo Fernando Henrique Cardoso", cobrou Aécio, em entrevista após discursar na Associação Comercial do Rio de Janeiro, onde foi homenageado com um almoço. A uma plateia de empresários e políticos ligados ao PSDB, ele disse acreditar que os quatro mandatos de FHC e de Lula serão vistos pelos historiadores do futuro como um só ciclo de desenvolvimento, que partiu da estabilidade econômica para a expansão das políticas sociais.

Indicando que o caminho do PSDB ao Planalto não deve ser pavimentado com a negação das políticas sociais que alimentam a popularidade de Lula, Aécio defendeu que o PSDB mantenha o Bolsa-Família se vencer as eleições em 2010. "O Bolsa Família hoje incorporou-se à realidade econômica nacional, é um instrumento de distribuição de renda extremamente importante. O que temos de fazer é dar um passo além, qualificar essas pessoas para o mercado de trabalho", disse o tucano, reconhecendo o impacto do programa na geração de renda e consumo. "O Bolsa-Família não pode ser um fim. Ele é necessário, no governo do PSDB será mantido, mas nós construiremos esse passo adiante."

Para o mineiro, a maior parte do eleitorado hoje tem dificuldades para diferenciar PT e PSDB. O governador disse que, mesmo contrariando colegas de partido, crê numa futura "concertação" entre as duas legendas, onde, mesmo mantida a relação situação/oposição, seja possível uma agenda comum de reformas. "Faço essa análise com muita convicção. A grande questão agora não é reeditarmos esse radicalismo, mas encontrarmos uma convergência em torno da próxima agenda", disse Aécio, defendendo que o PSDB percorra o País formulando novas propostas em vez de ficar criticando a exposição de Dilma Rousseff (PT).

"O PSDB não pode achar que ficando adormecido em berço esplêndido vai acordar em 2010 com o candidato eleito. Temos que renovar o nosso discurso, eleger quatro ou cinco grandes bandeiras que o diferencie do governo que esta aí. E aí sim ter um candidato, que vai nascer com muito mais densidade do que se simplesmente escolhêssemos o nome somando votos numa mesa", disse Aécio, que ouviu muitos elogios nos discursos do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e do prefeito Eduardo Paes (PMDB). Ex-tucanos, eles se declaram hoje aliados do PT e cabos eleitorais de Dilma, mas fizeram questão de afagar Aécio.

"Nos oito anos do governo FHC, o PT era radicalizado na oposição, contra o Plano Real, contra a responsabilidade fiscal. Agora, na minha avaliação, o PSDB também radicaliza em algumas posições que foram defendidas por nós lá trás", criticou Aécio. Indagado se a oposição da bancada tucana no Congresso às mudanças propostas pelo governo na caderneta de poupança, o governador disse não discordar do mecanismo. Aécio é contra o limite de R$ 50 mil estabelecido para os poupadores que sofrerão taxação do Imposto de Renda.

"Por mais que eu reconheça as motivações do governo, acho que o corte foi muito raso. Se o objetivo é desestimular grandes investidores na poupança, poderia ser feito com um corte muitas vezes acima desses R$ 50 mil. O governo confundiu um poupador de uma vida inteira, que hoje tem R$ 100 mil, R$ 200 mil, com um grande investidor. Puniu-se em demasia aqueles que acreditaram na poupança durante toda a vida", criticou.

Aécio criticou a concentração da arrecadação de impostos no governo federal e cobrou reformas para um novo desenho federativo. "Quase 70% de tudo que se arrecada hoje no Brasil estão sob a guarda do governo central", queixou-se. Embora tenha criticado a manobra contábil da Petrobras que resultou em queda na arrecadação da Cide para vários Estados, ele não quis opinar sobre a abertura de uma CPI sobre a estatal no Senado: "Se ela tiver fundamento, é parte do jogo. Respeito a bancada do PSDB." Aécio disse que vai se encontrar com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na próxima quarta-feira (20) para cobrar uma compensação pela Cide e pelos juros das dívidas dos Estados, que são maiores do que as do governo federal. "Estamos financiando o governo".(AE)

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