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O funileiro Nivaldo Aparecido Pas de Camargo, 41 anos, costuma levar o filho de sete anos, Peterson, para soltar pipa sempre em lugares abertos e amplos, preocupado com a segurança, pois sabe dos perigos. E é por esse motivo, que a CPFL Piratiniga costuma, sobretudo nos períodos de férias escolares, como neste mês, dar orientações sobre com se divertir com o brinquedo. Isso porque, no ano passado, também em julho, a brincadeira foi a causa de 10% dos desligamentos na rede de energia elétrica, nas 27 cidades onde a empresa presta serviço.
Não deixo ele empinar no bairro onde a gente mora porque é cheio de fios elétricos. As crianças não tem noção de perigo e costumam tentar tirar os pipas enroscados nos postes, alertou Nivaldo, que não se incomoda de sair de Votorantim e ir ao Paço Municipal de Sorocaba, onde o filho costuma se divertir com pipas. Gerente de poder público da CPFL Piratininga, Alexandre Hugo de Morais, explica que cerca de 400 mil clientes da empresa - como shoppings, hospitais e casas e indústrias - ficaram sem energia elétrica em julho passado, devido à queda de pipas na rede.
O detalhe é que pipas enroscadas na fiação elétrica, por tempo indeterminado, podem continuar provocando desligamentos. As linhas e varetas, quando molhadas pela chuva, tornam-se condutoras de eletricidade e provocam curtos-circuitos no sistema, explicou o gerente. E lembra que, apesar de ser uma das brincadeiras mais populares do país, saltar pipas é uma diversão perigosa se não for praticada com certos cuidados.
Outro risco está no uso de cerol (mistura de cola e vidro moído) para deixar as linhas mais resistentes e servir para ‘cortar pipas, o que é proibido por lei. Mais que enroscar e danificar a fiação podem ferir e até matar. Como o caso ocorrido em Sorocaba no ano passado, quando uma linha de pipa com cerol degolou e matou a auxiliar de produção Evelin Aparecida de Araújo Sales, 23 anos, quando trafegava de moto pela rodovia Raposo Tavares, próximo à Vila Sabiá.
Enquanto as autoridades mantém fiscalização e multam os infratores que usam cerol, entidades costumam fazer campanhas para conscientizar a comunidade quanto aos perigos. É uma brincadeira para se divertir, não que deveria provocar acidentes, alerta Ana Carla Patriarca Camargo, 30 anos, mãe de Nivaldo, que também costuma acompanhar o filho nas brincadeiras e aproveita para fiscalizar se ele cumpre as medidas de segurança.
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