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Sorocaba perdeu ontem um importante personagem de sua história. Morreu o industrial Carlos Alberto Moura Pereira da Silva, dono da extinta Companhia Nacional de Estamparia, a Cianê, que no auge chegou a ter 11 mil funcionários em Sorocaba. Filho de Severino Pereira da Silva e de dona Francisquinha, Francisca Assunção de Moura Carlos Alberto, estava com 83 anos e foi vítima de problemas pulmonares. O sepultamento foi na tarde de ontem no cemitério Pax.
A missa de corpo presente foi na igreja Santa Rosália, bairro que nasceu por conta das atividades da fábrica de tecidos da Cianê que deu nome ao local. Além de amigos e parentes, a celebração foi acompanhada por muitos antigos funcionários da Cianê. O carinho do povo sorocabano ficou registrado nas 28 coroas de flores que ocupavam toda a igreja.
Entre os presentes a palavra “humano” era a mais usada na definição do sr. Carlos. Pai de quatro filhos que hoje têm entre 40 e 56 anos, o industrial comandou a Cianê por muitos anos. Na década de 90, quando foi iniciada a decadência do complexo fabril que chegou a ter quatro fábricas na cidade e outras 10 espalhadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, a empresa era a maior empregadora da cidade e garantia trabalho para cerca de 11 mil funcionários.
O império fabril da Cianê começou em 1939 com o pai de Carlos, Severino Pereira da Silva. A Cianê até então estava sob controle de bancos e foi oferecida a Severino que então trabalhava na sua primeira indústria de tecidos, a Cia. Nacional Sapopemba, no Rio de Janeiro. A história de Carlos com os tecidos foi iniciada em 1948, quando começou a trabalhar com o pai na diretoria da Cianê.
“Meu pai era um cara muito correto”
“Meu pai era um cara muito correto”. A frase é do filho mais velho de Carlos. Com o mesmo nome do avô paterno (Severino), o primogênito - irmão de Sérgio, Sílvia e Sônia - é conhecido como Ica e hoje está com 56 anos. “Ele foi um pai maravilhoso, um ótimo esposo. Hoje a igreja está cheia e ouvi muitas histórias sobre ele. Tem muitas pessoas aqui que trabalharam na Cianê”, comentou.
A importância com o ser humano foi um valor marcante na história do industrial. Ica lembra que o bairro de Santa Rosália contava com mais de mil casas operárias. Além disto um hospital, o São Severino, foi construído pela empresa para atender funcionários e seus familiares. A educação também foi uma preocupação de Carlos Alberto e o terreno onde hoje funciona o Senai da cidade foi doado pela Cianê. O hospital também existe até hoje mas a administração hoje é pública e o local abriga a Policlínica de Sorocaba.
Até a igreja em que foi velado foi construída pela Cianê, lembra Ica. “O terreno do CIC (Estádio Municipal) e do Saae também foram doação nossa. Meu pai e meu avô fizeram o que puderam pela cidade”, destacou o filho primogênito. Tanta dedicação cativou muitas famílias e ex-funcionários emocionados fizeram a última homenagem para o industrial.
Entre os presentes o professor aposentado Atílio Bertoldi Sbrana, 77, emociona-se ao explicar sua gratidão pelo “sr. Carlos”. “Meu pai trabalhou muitos anos para a Cianê e morreu no hospital São Severino. Quando o sr. Carlos ficou sabendo que meu pai estava internado ele avisou o gerente do hospital que não era para cobrar nada. Meu pai morreu e a estamparia fez o enterro”.
As histórias do sr. Atílio são muitas. Em todas ele destaca: “o sr. Carlos foi muito bom para minha família”. As lágrimas, no entanto, invadem insistentemente seus olhos azuis quando o aposentado lembra do pai ajudado diretamente por Carlos Alberto. “Sempre seremos muito gratos. Não gastamos um tostão com os últimos dias do meu pai nem com o enterro”. Após longa pausa Atílio lembra que também trabalhou na Cianê. Lá ficou por dez anos ajudando em serviços administrativos. “Só saí para lecionar. Eu era professor primário. Fiquei lá de 1945 até 1956. Eu não tinha nem 14 anos quando eles me deram uma oportunidade”, explicou.
Parte da história de Sorocaba
Para o presidente da Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), Laelso Rodrigues, Sorocaba perdeu uma parte da sua história com a morte de Carlos Alberto Pereira da Silva. Ele lembra ter conhecido o industrial quando ocupava a diretoria regional do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp). “O Carlos sempre foi um homem simples. O que mais me impressionava é que ele se preocupava com tudo. Construiu toda uma estrutura para os funcionários, e na fábrica os empregos eram de pai para filho”, afirmou Rodrigues. O presidente da FUA lamentou profundamente a morte de Carlos Alberto e finaliza: “perdemos uma parte importante da história de Sorocaba”.
Produtos da China impõem a decadência da Cianê em 1990
Na cidade de Sorocaba a Cianê chegou a ter quatro unidades fabris. Além da fábrica da Santa Rosália, que deu nome ao bairro, a atividades da indústrias têxtil também funcionavam na fábrica Santo Antônio (ao lado do terminal de ônibus que leva o mesmo nome); na São Paulo e Nossa Senhora do Carmo. A decadência do império começou na década de 90 com a entrada de produtos chineses no país.
O filho mais velho de Carlos Alberto Moura Pereira da Silva, Severino Moura Pereira da Silva Neto, lembra que na década de 90 a fábrica empregava cerca de 11 mil funcionários e, ao todo, eram 14 fábricas. Atualmente, o império têxtil foi reduzido a uma única estamparia que ainda funciona nas proximidades da avenida São Paulo e emprega 370 funcionários.
Este conglomerado fabril começou a ser construído em 1903, quando o industrial inglês John Kenworthy comprou a fábrica Santa Maria e, cinco anos mais tarde, construiu a fábrica São Paulo, que está em atividade até os dias de hoje. O grupo cresceu e acrescentou também a fábrica Santo Antônio. Em 1939 Severino Pereira da Silva, pernambucano, compra todas as unidades, a chamada Santa Maria. A partir da compra da empresa por Severino, a fábrica ganha vários equipamentos novos como creche, escola maternal, posto de abastecimento, hospital e um clube social e esportivo. Recebe mais tarde um cine-teatro.
Na época a estamparia era, talvez, a maior proprietária de casas da cidade. Silva Neto, também conhecido como Ica, afirma que a fábrica chegou a ter cerca de mil imóveis na cidade. Esses eram destinados à residência dos funcionários do conglomerado.
Tecidos chineses
Ica lembra que os negócios da família não resistiram à entrada de tecidos chineses no mercado nacional. A importação começou na década de 90 a preços muito mais competitivos. Ele afirma que enquanto o metro do tecido nacional custava, aproximadamente, US$ 3, o chinês chegava por 80 centavos de dólar. “Foi muito duro. Tivemos que fechar três unidades. Com este negócio da importação outras fábricas do setor também sofreram”, lamenta. Atualmente, a única fábrica em funcionamento da Cianê em Sorocaba é uma estamparia. Não há mais produção própria de tecido.
Lendo por curiosidade alguns fatos na internet, me lembrei de verificar a biografia de Severino Pereira da Silva. Num país em que a banalidade assola as novas gerações, não estava com muita esperança de encontrar o nome desse grande homem e bem-feitor. Fiquei super maravilhado com tudo que li a respeito desse meu ilustre conterrâneo. Falar sobre Severino Pereira, é algo prazeiroso por tudo que esse homem fez por sua terra Taquaritinga do Norte. Me lembro quando ele depois de já ser um grande industrial ter vindo fazer uma visita a Taquaritinga. Eu era escoteiro na época e foi uma grande festa com a chegada do filho ilustre da terrinha. Foi um grande progresso para Taquaritinga a partir daí. Posso citar com muita convicção a construção da maternidade, as praças, a reforma na igreja, a Usinana de beneficiamento de algodão, um motor potente para iluminar a cidade, a ajuda aos carentes, por fim a construção do hospital. O filho Carlos Alberto era a cópia fiel do pai. Que Deus Os guarde num bom lugar por serem merecedores. Tive a felicidade de ter sido o operador do Cine Teatro Santo Amaro, outro presente que nos deu. Ah, Seu Pereira construiu tambem o Grande Hotel Jorge Eduardo. Obrigado por tudo, Seu Pereira VALEU.
SR. CARLOS ALBERTO JUNTAMENTE COM SEU PAI SR. PEREIRA FORAAM HOMENS DA MAIOR INTEGRIDADE DO PAIS MERCê PRINCIPALMENTE SUA HONESTIDADE E GENEROZIDADE DERAM AO BRASIL MOTIVOS OBVIOS PARA SEREM RECONHECIDOS COMO BALOARTES DO BRASIL EU MINHA FAMILIA E O POVO DA TERRA DE SR. PEREIRA TAQUARITINGA DO NORTE-PE CLAMAMOS A DEUS QUE OS RECEBAM EM LUGAR MERECIDO EM SEU REINO.OS NOSSOS SENTIMENTOS A TODA A FAMILIA PEREIRA DA SILVA
Sou sorocabano mas estou atualmante no estado do Rio. Moro em uma região em q o Grupo Paraíso, que pertencia a Cianê, construiu uma fábrica de cimento, sendo o motivo de minha família mudar para cá.
A história de Sorocaba e de muitas outras cidades do Brasil, estão ligadas a família Pereira da Silva, no sentido de fomentar o desenvolvimento social junto do industrial.
Tive o privilégio de registrar uma entrevista com Seu Carlos em 2004, para um jornal interno da Estamparia.
Toda a minha família havia trabalhado na Cianê, menos eu. Trabalhei no grupo de cimento, mas não tinha, até então, um contato com a área textil. Como que fechando um ciclo de vida, trabalhei na Cianê.
Nesta época me chamaram para ajudar no jornal interno da fábrica.
Logo pensei em contar a ístória da Cianê. Foi legal. A maior de todas as experiências que tiva neste período foi este contato com Seu Carlos, que foi amigo pessoal de meu pai, antes deste ser seu funcionário.
A história do Grupo Pereira da Silva é algo dígno de livro histórico. Um dos melhores capítulo da história de Sorocaba passa pela história da Cianê.
José Ricardo Pinto
Cordeiro RJ
Eu sou a ROSA COELHO, resido na cidade de Taquaritinga do Norte-PE senti muito a morte do Senhor Carlos Alberto, pois o seu pai SEVERINO PEREIRA DA SILVA fez muito por nossa querida CIDADE
Quando criança enfrentei fila para ganhar DINHEIRO do Sr. SEVERINO PEREIRA DA SILVA. Moro bem próximo a casa que o Sr. Severino Pereira tinha em Taq. do Norte., hoje pertençe ao seu neto MURILO.
Sou natural de Paragaçu-Minas Gerais .Minha famililia toda trabalhou na Cianê.meu irmão + velho veio pra Sorocaba onde trabalhou tb por muitos anos como Tecnico Textil ,resolvi vir morar com ele onde trabalhei e fui uma das ultimas a sair da unidade santo Antonio.
Minha primeira ESCOLA - ERSS (Escola Reunida São Severino )Paaguaçu-MG,jamais esquecerei lá estuda os filhos dos funcionários,que Escola Exemplar,tinhams uniformes,material escolar ,lmerenda de primeira,festa e presentes final de ano.Em umas destas festas apesar de muito criança me lembro ter conhecido o Sr.Severino,Sr Carlos e o Ica eles se desdobravam mas iam não mandava recado tamanho era a consideração pelos seus funcionários,que retribuiam satisfeitos e como prova deixo aqui meu carinho,tambem dos meus familiares e do meu Pai Geraldo Inácio de Oliveira que trabalhou por 45 anos na Cianê de Paraguaçu onde reside com minha mãe e alguns irmãos.
Meu agradecimento e meus sentimentos.
sou de taquaritinga do norte - pernambuco , cidade que nasceu severino pereira da silva pai de carlos alberto, pai e filho fizeram muito por nossa cidade vejam algumas obras :
fabrica de tecidos da ciane ( pão de açucar )
cine teatro santo amaro
hospital geral severino pereira da silva
reformou : escolas ( estadual , municipal , gremio musical , cenec)
a ultima aparição de carlos alberto em taquaritinga foi em 1989 , quando visitou a cidade e foi muito comprimentado pela população, que ate hoje lembram da familia q tanto fez por taquaritinga do norte !
que deus o tenha em um bom lugar !
Trabalhei alguns anos na Cianê. Tive algum contato com "Seu Carlos" mas o que sempre me impressionou foram as histórias que os mais velhos de empresa me contaram.
Sorocaba perde um grande homem. A humanidade de suas ações, sua honestidade e simplicidade são realmente algo para não esquecer.
Meus Pêsames à família. Mêus pêsames à Zezé.
Realmente é uma grande perda.
Que Deus o receba de braços abertos...
Definir o Sr. Carlos Alberto, além de muito fácil nos dá uma alegria em nosso coração.
Dedicação, trabalho, honestidade, competência e acima de tudo solidariedade humana.
Construiu com seu sacrifício um império e proporcionou a milhares de famílias que desfrutassem dos benefícios do seu labor.
Pais de família que compraram suas casas, estudaram, criaram seus filhos e hoje também sentem
a perda do grande homem que nos deixou, mas continuará vivo na mente e no coração daqueles que tiveram a sensação do seu convívio.
Os sorocabanos recebem com muito pesar a perda desse grande homem, grande industrial e grande ser humano. Seu Carlos Alberto sempre foi gentil, prestativo e humilde, não esquecerei uma manhã que passei em seu escritório na fábrica São Paulo, onde em 2008 me cedeu uma entrevista, e na época com 82 anos, ele ainda cumpria expediente diário. Sorocaba perdeu esse grande benfeitor de nossa sociedade, mas seu legado e sua trajetória sempre serão lembrados.
meu pai, ari jacinto,foi funcionário, por aproximadamente 30 anos na fábrica santo antonio, dela , ele pode criar como operário e posteriormente como mestre de fiação, 7 filhos e tambem pode fazer um curso de 3 meses em 1955 na alemanha.eu e meus irmãos,somos muito gratos a familia pereira da silva, na pessoa do sr. carlos alberto.Deus o abençôe.