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Turismo Comunitário - [ 27/10 ]

O caso da Prainha do Canto Verde

Vanessa Dantas
Notícia publicada na edição de 27/10/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 4 do caderno Turismo - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
 
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  • Vanessa Dantas O turismo surge para agregar valor à principal atividade econômica, a pesca, e não com o objetivo de substituí-la

No ano de 2008, por meio de edital de chamada pública do Ministério do Turismo, foram selecionadas 50 propostas para apoio ao desenvolvimento do Turismo de Base Comunitária, representando 19 unidades da Federação, e cerca de 100 municípios, com orçamento total previsto de R$7,5 milhões. Sem dúvida, um marco das primeiras ações do Poder Público Federal em apoio a um modelo de Turismo onde as populações tradicionais, os trabalhadores rurais, os pescadores, os representantes das culturas indígenas são os principais protagonistas.

No Turismo de Base Comunitária, as comunidades receptoras assumem o controle produtivo da atividade turística, desde o planejamento até o desenvolvimento e gestão. A finalidade não é o lucro nem a apropriação individual dos benefícios gerados, e sim a sua distribuição equitativa, por meio do investimento de caráter social na própria comunidade.

As comunidades possuem o controle efetivo das terras e das atividades econômicas, associadas à exploração de um tipo de Turismo que valoriza e incentiva os encontros interculturais, privilegiando a troca, o conhecimento e aprendizado dos diferentes modos de vida.

Embora o tema seja relativamente recente, algumas comunidades já possuem organização e reconhecimento internacional, como o a Prainha do Canto Verde - localizada a 120 km a leste de Fortaleza-CE, no distrito de Beberibe - que tive a oportunidade de conhecer no último mês de julho. O projeto, além de pioneiro, já recebeu inúmeros prêmios, e é referência no país.

Desde o primeiro contato, tudo aconteceu de forma rápida e altamente eficaz. Um acesso ao site do projeto (www.prainhadocantoverde.org), dois telefonemas, e uma troca de e-mails foram suficientes para uma ótima recepção. Apresentei-me como pesquisadora, professora do curso de Turismo, consultora da área, e recém selecionada para desenvolver um Plano de Turismo de Base Comunitária no Estado de São Paulo.

Depois de tudo acertado, segui viagem na manhã seguinte. Foram aproximadamente duas horas de viagem de ônibus, partindo da rodoviária de Fortaleza. Ao chegar, fui recebida por René Scharer e, em seguida, pelo diretor de Turismo Antonio Aires. Conversei bastante com os dois, em momentos separados. Falas comedidas e atenção aos detalhes. Aos mínimos detalhes. Eu tinha pouco tempo para absorver o máximo possível de informações.

Em resumo, pode-se dizer que são mais de 30 anos de luta pela defesa dos direitos à terra, saúde, educação, inclusão social, melhores condições e qualidade de vida. Povo do mar, que vive da pesca artesanal e que se organiza para o Turismo. A comunidade é formada por 1.050 pessoas, pouco mais de 200 famílias, que se reúnem por meio do cooperativismo e da associação de moradores. A conquista mais recente se deu no último dia 5 de junho, quando foi sancionada a Reserva Extrativista, em prol da preservação dos recursos naturais e do desenvolvimento responsável.

O índice de mortalidade infantil é zero. As crianças estão na escola e o analfabetismo é quase inexistente. As pessoas que trabalham com o Turismo são cadastradas na Cooperativa de Turismo e Artesanato - COOPECANTUR - e devem pagar uma taxa anual que varia conforme a atividade. Parte dos recursos gerados alimenta o Fundo Social e Educacional, que tem o objetivo de beneficiar os demais moradores que não estão diretamente relacionados com a atividade turística.

Dois elementos de relevância merecem destaque: o primeiro se refere à gestão dos empreendimentos que são, em sua totalidade, de propriedade dos ‘nativos‘; e o segundo se refere à premissa de que o turismo surge para agregar valor à principal atividade econômica, a pesca, e não com o objetivo de substituí-la.

Assim, pode-se dizer que o Turismo Comunitário se distingue pela sabedoria construída no lugar, suas crenças, valores e técnicas, disponíveis àqueles que compreendem o valor da diversidade, que possuem olhos de ver e ouvidos de ouvir. E, nessa oportunidade, pude confirmar algo de que já desconfiava há tempos: trata-se do modelo de organização e desenvolvimento do turismo de forma sustentável e inclusiva, que deve ser priorizado no nosso país. O caminho é esse, agora é só seguir!

Vanessa Dantas (pinheirodantas@uol.com.br) é mestre em Hospitalidade e professora do curso de Turismo da Uniso

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Comentários

  • Daniela Regina Oliveira [ 28/01/2010 ]

    Uau! Que projeto bacana! Assim vale a pena trabalhar com Turismo! Sustentabilidade e turismo, normalmente, são palavras que não combinam, né!

    Fico muito feliz em saber do projeto e mais ainda de saber que vc está envolvida!!! Isto significa que o projeto ganha credibilidade!!! Parabéns pela matéria, pelo trabalho e para a Comunidade Cearense que está fazendo a coisa certa!!!

  • Vanessa Dantas [ 27/10/2009 ]

    Olá Antonio!

    A cidade de Fortaleza divide o litoral cearense em dois: a leste, esta a Costa do Sol Nascente com 210 km de extensão, e a oeste a Costa do Sol Poente com 363 km. A Prainha do Canto Verde localiza-se no chamado litoral leste. Você pode dar uma olhada neste mapa para compreender melhor: http://www.olivestur.com.br/mapalitoral.php. Espero ter ajudado. Se houver mais dúvidas fique à vontade para enviar um e-mail: pinheirodantas@uol.com.br.

  • antonio fernandes da cruz [ 27/10/2009 ]

    se fortaleza fica no litoral, como pode a prainha do canto verde estar localizada à 120Km à leste??

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