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ARTIGO - [ 27/10 ]

A Terapia Ocupacional na Infância: mediando a constituição de potenciais de inclusão

Cíntia de Menezes Fernandes Bernal
Notícia publicada na edição de 27/10/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
 
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As políticas públicas precisam garantir a proteção e a assistência já previstas na legislação, a exemplo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e dos pressupostos do Sistema Único de Saúde (SUS)

É sabido que a infância é tempo privilegiado para o desenvolvimento e para a constituição da personalidade do ser humano. Também é fato que a atualidade tem marcado de maneira singular as relações familiares e o cuidado com as crianças. A pobreza e a desigualdade social, o desemprego e a marginalidade, além de doenças, deficiências e outros agravos que podem acometer o curso natural da infância são fatores que colocam em risco um desenvolvimento saudável. Por isso, as políticas públicas precisam garantir a proteção e a assistência já previstas na legislação, a exemplo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e dos pressupostos do Sistema Único de Saúde (SUS). No campo da assistência, em seus diferentes níveis, a Terapia Ocupacional tem desenvolvido ações de destaque, em relação à saúde para a infância.

O terapeuta ocupacional, profissional da saúde que integra a equipe multidisciplinar, é responsável por analisar e promover a rotina ocupacional do paciente em seus diferentes aspectos, definindo ações de prevenção ou, ainda, propondo e desenvolvendo programas de tratamento, a fim de possibilitar a melhora do seu estado de saúde e da sua qualidade de vida. Seu objetivo central é capacitar a pessoa para alcançar maior grau de autonomia funcional, a fim de que ela possa adquirir a autonomia e independência necessárias à manutenção de uma vida ativa, eliminando, reduzindo ou evitando os processos de exclusão.

O eixo norteador dos terapeutas ocupacionais é o uso específico de atividades, que podem ser de autocuidado, cinesioterapêuticas, expressivas, lúdicas, artísticas e profissionais; podendo, ainda, incluir o planejamento e a utilização de recursos, dispositivos ou tecnologias assistivas (órteses, adaptações e cadeiras de rodas), quando necessário.

Com crianças, esse profissional utiliza a atividade lúdica como recurso terapêutico, pois é brincando que a criança desenvolve sua capacidade motora, sensorial, cognitiva, social e emocional. Ao brincar, a criança interage com objetos da cultura e com outras crianças, experimenta diferentes regras e sentimentos, o que contribui para o desenvolvimento de habilidades psicossociais.

Apoiado numa visão ampliada de saúde, entendida como produção de vida e percepção do prazer e do bem-estar, o terapeuta ocupacional que atua com crianças privilegia a atividade lúdica e estabelece o foco na potência e na integração dos diferentes eixos do desenvolvimento infantil.

Assim, terapeuta ocupacional e atividade funcionam como agentes facilitadores para que a criança estabeleça vínculos sociais e amplie as conquistas do desenvolvimento e da aprendizagem.

Quando inserido em programas voltados à infância, o terapeuta ocupacional atua em unidades básicas de saúde, centros de atenção psicossocial, ambulatórios, clínicas, hospitais, centros de reabilitação, escolas e creches, ou ainda na forma de atendimento domiciliário. Na rotina dos atendimentos, utiliza jogos, brinquedos e brincadeiras infantis. Todas as atividades são planejadas, contextualizadas e, quando necessário, adaptadas para favorecer o processo do desenvolvimento.

Em Sorocaba, uma referência de atenção terapêutica à infância é o Núcleo de Terapia Ocupacional da Uniso, que oferece projetos voltados à saúde mental infantil, a bebês e crianças com risco e/ou atraso no desenvolvimento, ou ainda para crianças com dificuldades educacionais. Os atendimentos são realizados individualmente ou em grupos, de acordo com o ciclo de vida da criança e sua singularidade.

Professora Cíntia de Menezes Fernandes Bernal, Terapeuta Ocupacional, Doutora em Educação, Coordenadora do curso de Terapia Ocupacional da Universidade de Sorocaba (Uniso). (cintia.bernal@prof.uniso.br)

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Comentários

  • Karina Oliveira dos Reis [ 06/12/2009 ]

    É através dos meios de comunicação que iremos mostrar para a população o que de fato a lei preconiza e assim explicaremos a importância da equipe multidisciplinar e do Terapeuta Ocupacional.

    Parabéns, Profa Cintia.

    Lindo artigo!

  • roberto samuel sanches [ 27/10/2009 ]

    Texto simples, claro, enxuto e com conteúdo altamente significativo. Informa, ensinando. Afora isso, é texto de profissional competente.

    Parabéns, Profa. Cíntia.

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