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A simples possibilidade de uma repetição das célebres performances promovidas por Spencer Tunick - fotógrafo que corre mundo fazendo registros visuais de multidões nuas - bastou para incendiar a imaginação dos jornalistas
Ficou na promessa o protesto sem roupas que os professores pretendiam fazer para assinalar a passagem do Dia do Professor, ontem, na capital paulista. Na hora “h”, os manifestantes resolveram que o “nu pedagógico”, anunciado pelos sindicatos da categoria, seria apenas “metafórico”: cerca de duzentos diretores, professores e supervisores da rede estadual preferiram usar aventais cor de pele, desenhados com silhuetas humanas, em vez de ficar totalmente pelados.
A decisão frustrou a pauta da imprensa, que começou o dia contando com a imagem inédita de uma multidão de professores nus em pleno centro de São Paulo - um petardo visual que certamente iria correr o mundo pela ousadia e ineditismo -, mas atingiu seu objetivo, que era chamar a atenção da opinião pública para as reivindicações do magistério estadual. Apesar de ser menos impactante que o nudismo, a opção pelos aventais poupou os professores das reações chocadas de uma parcela da população e da imprensa (que, por sinal, já começavam a aparecer) e do risco de desviar a atenção do que realmente interessa - os salários e as condições de trabalho - para um debate supérfluo sobre a conveniência de professores tirarem a roupa em público.
Agiram corretamente os docentes, embora da outra maneira, certamente, pudessem conseguir uma visibilidade maior. De toda forma, o episódio serviu para mostrar, às lideranças do magistério, que existe um espaço a ser trabalhado, com criatividade, para conquistar as manchetes dos jornais e sensibilizar a população, sem que para isso se tenha que recorrer à greve. Essa tese foi defendida neste mesmo espaço, tempos atrás (“Escolas em greve”, 17/6/2008), causando certa polêmica entre docentes da cidade, que entenderam ser o jornal totalmente contrário à paralisação. Na verdade, o que se ponderava na época - e o ponto de vista continua válido - é que a greve, um instrumento legítimo de pressão, deveria ser encarada sempre como último recurso. E isso, não só pelos transtornos que acarreta para os alunos e suas famílias, mas também pelo desgaste causado à própria imagem da categoria, que acaba sendo questionada justamente naquilo que lhe é mais caro: seu empenho sincero pela recuperação da escola pública e valorização da docência.
O apelo midiático da sociedade atual, na qual a comunicação, ao mesmo tempo em que se vale da capilaridade da internet para construir redes de informação, procura jogar com os anseios imagéticos da grande imprensa (algo que muitos artistas performáticos já entenderam, e exploram com mestria em benefício próprio), impõe para os grupos sociais organizados o desafio, sempre estimulante, de buscar pretextos cada vez mais criativos para dar seu recado à população.
No caso presente, nem foi preciso concretizar o protesto: bastou que os professores o anunciassem, para que tivessem destaque na imprensa. A simples possibilidade de uma repetição das célebres performances promovidas por Spencer Tunick - fotógrafo norte-americano que corre o mundo fazendo registros visuais de multidões nuas - bastou para incendiar a imaginação dos jornalistas. A ideia de uma manifestação nudista de professores foi tão poderosa que só ela, a ideia, bastou para assegurar a divulgação desejada.
Por outro lado, as manifestações do magistério - real e imaginária - não deixam de ser notas lúgubres em meio à rotina de um país obcecado pela promessa de riqueza que vem do fundo do mar, mas que, no entanto, não consegue enxergar a tremenda dádiva representada pela educação. Os professores, em seu dia, estiveram novamente sozinhos com suas dificuldades cotidianas, que não cansam de denunciar. A eles não se uniu a população, que deveria ser a maior interessada em uma escola pública de qualidade.
Em certo sentido - o da consciência social e cidadania -, prevalece a nudez.
Algo deverá ser feito para chamar a atenção dos governantes. O nu pedagógico poderia ter acontecido de fato, mas com as pessoas mascaradas e com capuz de halloin. O IMPACTO SERIA MAIOR
Fiquei surpreso e satisfeito com a estratégia dos sindicatos ao promover o nu pedagógico. De fato, usou-se uma maneira inteligente de tratar a questão da forma como os profissionais da educação são tratados.e com isso alcançou-se uma visibilidade a meu ver inédita, criativa e o que é melhor bem-humorada. Grande parte dos jornais da capital e alguns do interior anunciaram o fato , com destaque no lado sadio do humor. Como professor, espero que a maioria dos nossos colegas ao invés de simplesmente observar a ineficiência dos sindicatos se unam a eles , nessa nova maneira de tratar as questões da educação. Sem ocomprometimento da classe, só criatividade não vai resolver!
Que saudade dos tempos em que os professores eram reconhecidos.Que pena porque tem muitos que acham o PSDB o melhor partido
Gostei muito da forma como foi feito o Protesto.
É um ABSURDO o que o GOVERNADOR SERRA está fazendo com o Magistério e principalmente a propaganda enganosa e essa política do BONUS. Nossa Luta NÃO pode parar jamais...É uma pena que a classe não esteja firme para posturas mais radicais porque chegamos ao cúmulo do desrespeito por parte de nossos governantes. PARABÉNS UDEMO!!!
nosso nu pedagogico foi um secesso!! repudio ao plc 29....que da aumento apenas a 20% nas mudanças d faixas= onde nao se podedar as 6 faltas abondas.licenças medica e licença premio para concorer nasprovas alem de fixaçao de tempo em local. os aposentados pensionistas...nao tem como fazer... 27% ja e incorporaçoes das grt. jaaaaaaaaaa*
Sou professor, mas a minha profissão é tão desvalorizada que às vezes sinto nojo de ser professor. Porém, por pior que sejam as condições em sala de aula, o respeito que conquistei com meus alunos é que me fazem seguir com os olhos à diante, porque diante de nossos governantes nem tenho vontade de sair de casa. Trabalho e convivo com estas pessoas( meus alunos) em quase todos os momentos de minha vida, e nesse convívio devo ser professor não somente em sala de aula, mas em todos os momentos e em todos lugares, pois sou tomado como exemplo e acredito que sendo íntrego como cidadão serei mais respeitado como profissional, pois nada é mais perigo que um bom conselho seguido de um mau exemplo. Mas que exemplo pode ser esse? Se sinto vergonha de ser professor e que por nada quero que meus filhos sigam minha profissão! Sou professor em período integral em minha vida, mas não posso me dedicar na mesma intensidade à educação e que para manter uma boa educação para meus filhos e uma condição razoável para minha família devo ter várias outras atividades como fontes de renda. Com todos problemas citados, desrespeitados pelos governantes e desconsiderados pela população, a profissão será desqualificada e esquecida. Se atualmente para algumas parcelas da população o traficante serve de exemplo e o professor não, o futuro da educação no país é incerto...e sem educação o que será o certo???????????
Talvez daqui a + ou - uma década a população do estado de SP se unirá aos professores porque sentirão a falta destes profissionais, pois os que ficarem.....só Deus para saber as condições pedagógicas. Que todos tenham consciencia de votar em 2010 em politicos que não façam da educação apenas um discurso vazio, mas uma dádiva para nossas crianças e jovens paulistas.
Bons tempos aqueles do ensino público, do qual muitos de nós nos orgulhavámos. Os professores, nossos mestres, tinham prazer em ensinar e eram respeitados como a categoria merece.
Pena que hoje nossos governantes não estão nem aí prá educação (e olha que isso faz tempo). Afinal, não rende voto, pois povo esclarecido, complica mais na hora de votar porque não engole qualquer promessa.
Essa sim é a nudez da nossa educação, que não é vista e os professores são cada vez mais desvalorizados.
Quem sabe um dia possamos acordar e reverter a situação. Se não for tarde demais....
Parabens pela materia ;pena que a sociedade e os
nossos governantes nao enxergam assim e tudo
que acontece na educacao e responsabilidade do
professor,obrigada
professora Aparecida Cunha R.Oliveira