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Gente Jovem - [ 06/09 ]

Toulouse Lautrec invade as passarelas

Simone Sanches
Notícia publicada na edição de 06/09/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
 
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  • Erick Pinheiro Ana Carolina Soares Fontana criou quatro looks e venceu o 1º Fashion Designer de Sorocaba

Jovem estilista de Sorocaba ganha concurso com peças baseadas na obra do artista francês

Conhecido por pintar a vida boêmia de Paris do final do século XIX, o artista francês Toulouse Lautrec, mesmo tendo falecido precocemente, aos 36 anos, deixou um legado artístico importantíssimo. Revolucionou o design gráfico dos cartazes publicitários e, mais do que isso, contribuiu para a popularização e comercialização da arte no mundo.

A estilista sorocabana Ana Carolina Soares Fontana, de 17 anos, inspirou-se no trabalho de Lautrec para apresentar suas criações e acabou vencendo o concurso de moda promovido pelo 1º Fashion Designer de Sorocaba, realizado em agosto no Ipanema Clube.

Ela, que não cresceu no meio de alfinetes, tecidos e linhas, e só começou a estudar arte há quatro meses, na escola Pró-Arte, contou que a tarefa foi um desafio. Quando se inscreveu para o concurso recebeu a informação de que o tema seria A França desfila no verão brasileiro (baseado na temática do último São Paulo Fashion Week), e não sentiu grande atração. Não gostei muito, não era muito a minha praia, disse a estilista que tem como principal inspiração o estilo punk-rock.

Mesmo assim, ela começou a fazer os primeiros croquis. Eu fiz vários desenhos baseados nas roupas que se usam na França e apresentei. Só então me disseram que eu teria que escolher um tema mais fechado dentro dessa temática, explica. Foi aí que começou a pesquisar mais a fundo e descobriu que a inspiração estava ali mesmo, dentro de casa. Como a mãe é artista plástica, o material didático usado nas aulas de arte ajudou bastante. Fiz uma pesquisa nos livros da minha mãe e encontrei as obras de Lautrec conta. Achei os desenhos legais, bem diferentes; o tema dele é rico, você olha para os trabalhos e já vem várias idéias na cabeça, afirma. O tradicional cabaré francês, o Moulin Rouge, frequentado por Lautrec, também me inspirou bastante, acrescenta.

Com o tema já definido, ela começou a desenhar as peças. A mãe acompanhou o trabalho da filha e se encarregou das costuras. Eu desenterrei uma máquina de costura antiga que eu tinha em casa e usava somente para ajustes de roupa e acabei costurando as peças, lembra a mãe, Maria Lígia Soares Fontana. No começo, pensei em contratar uma costureira, mas acreditei que minha mãe poderia costurar para mim, tenho que agradecer a ela, reitera Ana Carolina.

Mãe e filha trabalharam juntas durante duas semanas. Ela foi acompanhando tudo, é importante o estilista acompanhar o processo de costura, diz a mãe. Me impressionei com resultado, gostei do que criei, é uma sensação incrível ver o seu próprio desenho ganhar forma, comenta a filha.

No desfile, Ana Carolina apresentou quatro looks criativos usando tecidos clássicos como tafetá de seda, shantung, seda lingerie, linho e palha de seda, comprados com recursos próprios.

Barbie fashion

O desejo de criar e produzir moda começou ainda na época em que brincava com boneca. Eu não gostava de me vestir bem, de me arrumar, mas aos 10 anos eu já gostava de produzir minhas bonecas barbies, lembra. Anos mais tarde, a menina-moça deixou as brincadeiras de infância para fazer a produção das amigas. Quando elas combinavam de sair, me chamavam para ajudar a arrumá-las, diz. Depois disso, eu me apaixonei por roupas, comenta.

Moda confortável

Para a estilista, a moda se divide em duas vertentes: Tem coisas para serem usadas e outras não‘, diz. As tendências servem apenas de referência, completa. Segundo ela, as criações que faz são passíveis de serem usadas no dia-a-dia, principalmente por serem confortáveis. Quero produzir outras peças e fazer um outro desfile com aquilo que tem mais a minha cara, afirma.

Punk-Rock

Inspiração não falta à jovem. Bastou falar nas bandas de punk-rock, como Sex Pistols, Ramones ou The Clash, que logo as idéias começam a surgir. Nas próximas criações, quero usar muito couro, tachas, rebite, ombros e abotoamento que lembram as fardas militares da força aérea, coloca.

Para ela, a música e a moda também caminham juntas. As pessoas se vestem daquilo que ouvem; quem escuta música country se veste igual, o rock a mesma coisa, completa.

Segundo a estilista, quando se fala no movimento punk-rock suas referências no mundo da moda são Alexandre Herchcovitch e a inglesa Vivienne Westwood. Eles fazem roupas bem diferentes nesse conceito e eu gosto, garante a jovem que ainda pretende fazer faculdade de moda em São Paulo, estudar em Milão e criar sua própria marca.

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