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Eles tinham pouca familiaridade com a palavra empreendedorismo, mas isso no início do ano, antes de iniciarem um projeto em parceria com o Centro de Referência e Assistência Social (Cras) e o Centro de Orientação e Educação Social (Coeso), cujo o tema é: Empreendedorismo para Jovens. A partir desse “sim” para o desconhecido mundo do “business”, 20 jovens, de idades entre 14 e 18 anos e moradores do Parque São Bento, Zona Norte da cidade, não só aprenderam o que reza o dicionário sobre ser empreendedor - “ativo, arrojado”-, como começaram a pensar em um futuro bem mais promissor do que a realidade de muitos outros jovens que conhecem.
No momento, explicou a professora Nádia Xocaira, os alunos estão na parte teórica do curso, aprendendo na teoria o que, daqui há quatro semanas, começarão a colocar em prática: uma empresa de Silk Screen. O primeiro trabalho dos jovens empreendedores será “silkar” o logo da Coeso nas eco bags da entidade. Além do silk, os alunos têm ainda aulas de artesanato, de sustentabildiade e meio ambiente, entre outras disciplinas
De casa para o curso
Além dos 20 que participam do projeto Empreendedorismo para Jovens, outros 30 garotos daquela região da cidade são atendidos pelo projeto do governo Estadual, “Ação Jovem”, um programa da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social (Seads) de São Paulo, criado em junho de 2004 que beneficia pessoas na faixa etária de 15 a 24 anos, em situação de vulnerabilidade social. Com objetivo de incentivar os jovens a concluírem seus estudos, disponibilizam uma bolsa-auxílio de R$ 60 mensais durante um ano, renovável por igual período mediante a permanência na escola. A partir desse projeto, todos chegaram até o Cras.
Como contou a aluna Viviane Silva Souza, 14, antes de iniciar no curso de empreendedorismo, só ficava em casa, assistindo televisão o dia todo. “Ficar aqui é melhor e a gente não fica pensando em outras coisas”, disse ela que chegou ao Cras através da sua irmã que também participa do curso. Ela, que sonha em ser uma empresária também pensa em fazer algo ligado à moda.
Enquanto isso, a irmã Evelin Silva Souza, 16, é mais ligada ao meio ambiente e aproveita o curso para exercer a “liderança”. Ela, que diz ter habilidade em falar em público já faz palestras no bairro sobre sustentabilidade e não liga a mínima quando os “colegas” tiram sarro quando, ao invés de jogar o papel de bala no chão, abaixa para recolhê-lo. “Tudo que estou aprendendo vai servir muito para o meu futuro”, sentenciou.
Coragem
A resposta de Damiana Francisco da Silva, 17, quando questionada sobre o que aprendeu nesse tempo com o curso foi direta: coragem. Segundo a jovem, que antes passava o dia todo “passeando” no bairro, no curso não apenas aprendeu coisas novas como descobriu também que tinha talentos que desconhecia. “O que eu faço melhor são corações de pelúcia”, contou ela que achou muito interessante a experiência que teve ao participar de uma exposição na última edição da Feira Regional de Artesanato e Geração de Renda (Feager).
Como ela, Bruno Rodrigues Pedroso, 15, também salientou a participação na Feager como um aprendizado importante. Ele, que estuda francês em um outro projeto da secretaria de Estado da Educação, disse que nunca tinha sido “tão” ligado em meio ambiente e que, a partir do curso, só reforçou o que planeja para o futuro, ser biólogo.
A presidente
Líder nata, mesmo tímida ao extremo, Hendy Paula de Souza Alves do Amaral, 17, participa há dois anos do Cras. A história é longa, mas a menina que saia da escola e ficava o dia todo jogando futebol foi “empurrada” pela mãe a desenvolver um projeto voluntário de caminhada com a terceira idade, já que sempre foi ligada aos esportes. Daí começou tudo: deste projeto chegou ao Cras, onde é voluntária e, quando iniciou o curso de empreendedorismo, foi escolhida pela turma como a “presidente” da empresa que irão formar. Para ela, que descobriu o quanto gosta de ajudar o próximo, a escolha foi uma aprovação do trabalho que realiza e, por outro lado, um aumento expressivo de responsabilidade. Para ela, a realidade que vê entre os jovens do bairro ainda pode melhorar e muito. O que precisa é que “cheguem” mais, aos jovens, cursos e propostas de mudança.
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