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29/11/14 | Sorocaba SP

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| TRANSPORTE

Caminhoneiros fazem críticas ao pagamento de eixos suspensos na passagem dos pedágios

A medida foi tomada na última segunda-feira pelo governador Geraldo Alckmin

André Moraes

 

andre.moraes@jcruzeiro.com.br

 

A medida anunciada pelo governo do Estado de São Paulo, que pretende aplicar a cobrança de eixos suspensos de caminhões nas praças de pedágio das rodovias estaduais, não foi bem recebida pelos caminhoneiros e pelo Sindicato que representa as empresas transportadoras em Sorocaba e região. A principal reclamação dos motoristas de caminhão, que terão de conviver com essa nova realidade em todas as suas viagens, seria do gasto a mais que eles teriam na hora de passar pelos pedágios. Já o Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de Sorocaba e Região teve uma reunião nesta semana, para definir as atitudes que serão tomadas diante dessa atitude do governo, anunciada na última segunda-feira (24) por Geraldo Alckmin (PSDB).

 

O caminhoneiro Rogério Becker, 30 anos, que saiu do Estado de Minas Gerais e passou nesta semana por Sorocaba e região, define que foi "uma falta de vergonha na cara" o governador ter adotado essa medida. "Então por que existe o levanta eixo? Agora vou ter que gastar com pedágio o mesmo que se estivesse com o caminhão carregado", opina. Becker ainda defende que os caminhoneiros deveriam parar em protesto, o que traria vários transtornos para o escoamento dos produtos em todo o País. "Ele cutucou a onça com a vara curta", argumenta.

 

Fernando Paulossi, 30, que mora em Sorocaba e trabalha com o transporte de cargas, diz que a situação desses trabalhadores será muito pior a partir de agora, pois os gastos que eles terão na volta para casa será muito maior, por pagarem pelos eixos suspensos. "Quando a gente volta vazio, sem carga, a gente já não está ganhando nada, então será um gasto a mais. Como o preço do frete não subiu, então ele (o governador) jogou isso para a gente. Mas não tem o que fazer, não é?", relata o caminhoneiro. Ele explica que, normalmente, os motoristas de caminhão costumam levantar três dos sete eixos do veículo na volta, o que não interfere na segurança do transporte. "A gente faz isso justamente para não gastar os pneus", afirma Paulossi, que estava indo para Santos.

 

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de Sorocaba e Região, Natal Antonio de Plácido, concorda com as afirmações dos caminhoneiros e informa que a categoria foi pega de surpresa com a afirmação dada por Alckmin, na tarde da última segunda-feira. "Sabíamos, na semana passada, que ele ia ter uma reunião com as concessionárias, para falar sobre o aumento do preço do pedágio, mas não sabíamos que ia falar sobre isso também", revela. De acordo com Plácido, essa proposta de cobrar pelos eixos suspensos já havia sido colocada em pauta pelo governo de São Paulo, há três anos, mas por conta de manifestações da categoria, a mesma foi deixada de lado. "Nós transportadores estamos saindo muito prejudicados com isso. Teremos uma reunião para saber que rumo vamos tomar. Temos que nos reunir com os autônomos também, porque do jeito que está não dá", ressalta.

 

 

Nenhuma consequência

 

 

Apesar das críticas desferidas pelos caminhoneiros e pelo Sindicato representante das transportadoras, o presidente da Federação dos Caminhonheiros Autônomos de Carga em Geral do Estado de São Paulo, Norival de Almeida Silva, alega que essa medida do governo não acarretará em nenhuma consequência aos trabalhadores da área. "O valor do frete já é cotado pelas empresas (que pagam esse valor aos caminhoneiros) como se todos os eixos estivessem no chão", informa.

 

Segundo ele, o que acontece é que muitos empresários tentam burlar o sistema, ou seja, reembolsam o valor que seria pago por todos os eixos estarem sendo utilizados e pedem para que os caminhoneiros andem sempre com os mesmos suspensos. "O que nós caminhoneiros precisamos fazer é exigir o repasse integral do preços dos pedágios, que é nosso por direito", considera. Silva ainda afirma que andar com os eixos suspensos levam risco tanto para os caminhoneiros quanto para os outros motoristas. "Pois fica mais fácil de acontecerem derrapagens."

 

 

Pedágios

 

 

Na última segunda-feira, o governador revelou que o reajuste das tarifas dos pedágios não iria acontecer e explicou que isso foi possível com a adoção de medidas como a cobrança do eixo suspenso dos caminhões e a "penalização" das concessionárias por atraso em obras. Haverá, também, a redução do porcentual do faturamento sobre as tarifas da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que cairá pela metade, de 3% para 1,5%. E a última medida é o chamado ônus fixo, que é aquilo que o governo recebe da concessionárias, mas pode abrir mão para que o reajuste não ocorra. O reajuste seria feito pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) acumulado de 6,2%.

 

Notícia publicada na edição de 29/06/13 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 003 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

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