Jornal Cruzeiro do Sul


01/08/14 | Sorocaba SP

Materia

  • Imprimir
  • Enviar
| SOROCABA

Nova secretária fala de seus planos para Cultura

Jaqueline Gomes da Silva destaca a importância da criação de uma política pública de cultura em Sorocaba. Ela anuncia também que Festival de Música será mantido e ocorrerá em novembro. Sobre a Linc, propõe a realização de uma mostra com os produtos financiados

Maíra Fernandes
maira.fernandes@jcruzeiro.com.br

A criação de uma política pública de cultura para a cidade é um dos focos da gestão da nova secretária de Cultura e Lazer de Sorocaba, Jaqueline Gomes da Silva. Nomeada na terça-feira da semana passada, Jaqueline ocupa agora o cargo que era de José Simões de Almeida Júnior (atual secretário da pasta de Educação), e com quem vinha trabalhando desde o início do ano, como diretora da área de lazer da Secretaria de Cultura e Lazer de Sorocaba (Secult). Nessa função, Jaqueline pôde trabalhar suas características de gestora de ideias e projetos, e foi responsável, ao lado de sua equipe, do desenho do projeto Viva o Centro, que classifica como sua "menina dos olhos", e todo o processo de realização da Conferência Municipal de Cultura, realizada há duas semanas. "Acho o Viva o Centro como um exemplo de interação urbana. O melhor termômetro do projeto é quando vejo que as crianças chegam à Frei Baraúna e a primeira coisa que fazem é tirar os sapatos, que significa que estão se sentindo à vontade."

O processo da conferência, que envolveu reuniões e Pré-conferência, também é entendido por ela como um sucesso. "Não podemos nos eximir do debate. Mesmo realizada em cima da hora, houve propostas e participação das pessoas de forma democrática", avalia Jaqueline, lembrando da importância da inserção do município no Sistema Nacional de Cultura (SNC), que obriga o município a estabelecer uma política, conselho e fundo municipal de cultura. "Isso nos fortalece."

A secretária, que herdou um processo já em andamento de Simões, o qual acompanhou de perto, fala que respeitará o que já vinha sendo desenvolvido pela pasta, mas analisará todo o processo e atividades desenvolvidas. "O foco do nosso trabalho é construir um espaço efetivo para criar uma política pública de cultura da cidade, mantende o diálogo público." Ela destaca ainda o trabalho do antecessor que circulou por diversos espaços da cidade e conversou com as pessoas para entender um pouco mais das necessidades do município.

Jaqueline garante que as atividades da agenda do município serão cumpridas no decorrer deste ano, como as atividades alusivas ao aniversário da cidade, o Prêmio de Artes Plásticas e Visuais Flávio Gagliardi, e o Festival de Música, cuja a realização ainda era incerta, mas ocorrerá em novembro, a partir deste ano por processo de licitação para produtores. De acordo com ela, o processo licitatório tanto para o festival quanto para outros eventos (como o próprio Domingo no Parque), garantirá mais qualidade, já que criarão termos de referência mais exigentes para a concorrência pública. "Mas os produtores vêm fazendo um bom trabalho."

A Lei de Incentivo à Cultura (Linc), outro ponto sempre polêmico quanto o assunto é Secult, também passará por uma avaliação da nova secretária. Nesse tempo em que esteve como diretora de área, revela, não ficou muito próxima das discussões referentes à Linc, mas se surpreendeu com o trabalho da comissão avaliadora. "Preciso ainda fazer análises sobre a Linc, ela pode sim ser reformulada, mas temos que nos planejar", propõe ela, que já adianta novas e boas sugestões, como a realização de uma mostra com os produtos financiados pela Linc. A ideia é que esses produtos realizados com dinheiro público cheguem, realmente, ao público. Jaqueline também acredita que, com essa ação, os proponentes se preocuparão mais com o resultado final, já que passarão por esse julgamento público. "Quem é contemplado deveria dar uma contrapartida ao município realizando, por exemplo, seminários para futuros proponentes. Também acho que poderia haver uma grande mostra dos trabalhos, pois aumenta a responsabilidade com essa avaliação pública, já que o projeto é feito com dinheiro público. Também penso em uma itinerância desses produtos. Assim, ganha a cidade e ganha o projeto."
 
Trabalho colaborativo
 
Nascida no "meio do mundo", como é conhecida Macapá, a capital do Amapá, na região norte do Brasil, a relação de Jaqueline com Sorocaba começou no final da década de 1990, quando assumiu a assessoria de eventos da Universidade de Sorocaba (Uniso), instituição em que permaneceu até 2009. No currículo da titular da Secult ainda estão a docência em Gestão, Eventos e Projetos Culturais nos cursos de Turismo e Hotelaria, Eventos, Relações Públicas e Marketing da Uniso. Atualmente, leciona na pós-graduação de Administração e Planejamento de Eventos do Senac.

Terceira mulher a ocupar uma cadeira no alto escalão do atual governo, ela é Mestra em Educação pela Universidade de Sorocaba (Uniso), Especialista em Planificação do Turismo pela Universidade de São Paulo (USP) e graduada em Turismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e tem experiência na produção de eventos técnico-científicos e em projetos artísticos e socioculturais. "Tenho o respaldo da minha formação e da minha experiência", defende, ela ao falar sobre o cargo público que assume pela primeira vez.

Por conta da experiência, acredita em planejamento. Por isso mesmo, fala de mudanças a longo prazo, pensadas a partir de conceitos que priorizam a qualidade. "Antes de pensar a agenda, pautamos nossas ações com foco na qualidade e não na quantidade. E a Secult tem feito o dever de casa. Temos uma equipe pequena, mas antenada. Há claros sinais de amadurecimento. Todo mundo deveria passar pelo trabalho público, pois muda a sua visão de mundo e sua responsabilidade", destaca ela para quem a volta atrás do prefeito Antonio Carlos Pannunzio sobre o anúncio da fusão entre as pastas de cultura e de educação, mostrou sensibilidade dele ao debate. "O prefeito tem autonomia e condições de fazer análises amplas. No momento em que vem a crise que poderia nos afetar, ele se mostrou sensível ao debate. Voltamos fortalecidos", fala sobre a autonomia da Secult.

Jaqueline entende a verba da pasta como "apertada", mas vê a Secult como articuladora e não fazedora de ações. Animada com o trabalho feito na cidade pelos coletivos, defende as ações colaborativas no fazer cultural, naquilo que chama de "conexão-pessoas-lugares". "Não se consegue fazer uma coisa de uma hora para a outra. Temos que repensar os processos, potencializar nosso orçamento que é apertado. Cidade nenhuma terá orçamento suficiente para suprir suas necessidades no desenvolvimento cultural, que é tão importante quanto educação, segurança... Podemos olhar para os nossos velhos problemas e fazer de forma colaborativa", sugere.

Para ela, não há como por em prática esse conceito sem o contato com as pessoas. "Precisamos falar com mais pessoas, ir a mais lugares, mas não podemos ter a pretensão de levar a cultura, pois nosso papel é conectar." Aliás, Jaqueline gosta de pensar cultura a partir de um conceito aprendido com o professor sorocabano, e por anos reitor da Uniso, Aldo Vannucchi, de que tudo o que não é natureza, é cultural. E defende: "Precisamos, urgentemente, de um diagnóstico cultural da cidade, integrando secretarias, sociedade civil e instituições como universidades."
Notícia publicada na edição de 15/08/13 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno C - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Publicidade

Publicidade

comments powered by Disqus



cruzeirodosul.inf.br

Desenvolvimento:

Jornal Cruzeiro do Sul - Direitos Reservados

Faça uma assinatura

Por que ".inf.br"?

Os domínios ".inf.br" destinam-se a meios de informação, como rádios, jornais, bibliotecas, etc.

Acessar a versão móvel