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22/11/14 | Sorocaba SP

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Doenças do músculo do coração


* Sérgio Augusto Latuf

As doenças que afetam o músculo cardíaco são conhecidas como miocardiopatias. São doenças que interferem na estrutura anatômica do coração e comprometem a função de contração e relaxamento da parede muscular do coração (miocárdio). Existem basicamente três tipos de miocardiopatias: miocardiopatia dilatada, miocardiopatia hipertrófica e a miocardiopatia restritiva. Na miocardiopatia dilatada, ocorre uma dilatação das cavidades do coração, de modo que o coração perde a capacidade de bombear adequadamente um volume de sangue suficiente para suprir os órgãos, podendo levar a insuficiência cardíaca.

Entre as causas de miocardiopatia dilatada, estão a doença das artérias coronárias (obstruções), causadas por depósitos de gordura (aterosclerose), a doença de Chagas (no Brasil e América Latina é uma das principais causas de miocardiopatia dilatada),
diabetes, obesidade mórbida, distúrbios da glândula tireóide, álcool, cocaína e alguns quimioterápicos.

Os sintomas da miocardiopatia dilatada podem ser a dificuldade respiratória (dispnéia) e a fadiga (cansaço fácil), decorrentes do quadro de insuficiência cardíaca. Normalmente ocorre um aumento da frequência cardíaca e a pressão arterial costuma ser normal ou baixa. Pode ocorrer retenção de líquido nos membros inferiores, abdome e nos pulmões (o edema pulmonar agudo é uma condição clínica muito grave, com altos índices de mortalidade).

O tratamento da miocardiopatia dilatada deve ser feito com medicamentos, assim como tratar a causa do problema, como angioplastia coronariana e a cirurgia de ponte de safena, no caso de doenças das coronárias, tratar as arritmias cardíacas, pois o coração dilatado com arritmia cardíaca (principalmente a fibrilação atrial) é mais propenso a formação de coágulos sanguíneos, que podem sair do coração e obstruir uma artéria a distância. O tratamento visa melhorar os sintomas e prolongar a expectativa de vida.

Em alguns casos existe a possibilidade de implantar um marcapasso artificial (terapia de ressincronização cardíaca), assim como um desfibrilador automático implantável (dispositivo que identifica e aborta uma arritmia cardíaca imediatamente, através de um choque elétrico), dessa forma pode-se evitar a morte súbita.

Na miocardiopatia hipertrófica, ocorre um espessamento anormal das paredes do coração, geralmente por consequência de um aumento da carga de trabalho. A intensa hipertrofia dos músculos cardíacos, dificultam que eles relaxem para receber o sangue que vem oxigenado dos pulmões.

Na miocardiopatia hipertrófica pode ocorrer por hipertensão arterial (pressão alta), distúrbios endocrinológicos e muitas vezes por um defeito genético. Geralmente os sintomas da miocardiopatia hipertrófica são, a falta de ar, dor torácica, palpitações, sensação de desmaio (lipotímia) e desmaio (síncope).

O tratamento tem como objetivo principal, reduzir a resistência cardíaca a entrada de sangue que chega oxigenado dos pulmões. Podem ser usados de forma isolada ou associados a outros medicamentos. Existem tratamentos invasivos adicionais, por via cateterismo e outro por cirurgia cardíaca, no qual se faz a remoção de parte do músculo cardíaco hipertrofiado. O implante de um marcapasso artificial poderá ser indicado em alguns pacientes portadores de miocardiopatia hipertrófica, podendo melhorar a disfunção cardíaca causada pela doença.

A miocardiopatia restritiva indica um grupo de doenças cardíacas, nas quais as paredes dos músculos do coração tornam-se endurecidas, geralmente sem a presença de espessamento, como na miocardiopatia hipertrófica. Essa condição, produz uma resistência ao enchimento normal de sangue que chega oxigenado dos pulmões.

É a forma menos comum de miocardiopatia e geralmente a sua causa é desconhecida. Podem ser causadas por uma substituição do músculo cardíaco por um tecido cicatricial (endomiocardiofibrose). Outros tipos de patologias que podem causar a miocardiopatia restritiva correspondem as amiloidoses, sarcoidoses e hemocromatose (quando o organismo possui uma quantidade excessiva de ferro, esse metal pode se acumular músculo do coração).

A miocardiopatia restritiva pode causar insuficiência cardíaca, acompanhada de dificuldade respiratória (dispnéia). Para a maioria das pessoas com esse distúrbio, não existe uma terapia satisfatória. Uma condição que pode causar um quadro clínico semelhante ao da miocardiopatia restritiva é uma doença do pericárdio (membrana de reveste o coração), chamada de pericardite constritiva.

O diagnóstico das miocardiopatias baseia-se no exame clínico, eletrocardiograma e principalmente no ecocardiograma (exame que analisa a estrutura e função cardíaca). A ressonância magnética, o cateterismo cardíaco, cineangiocoronariografia (para avaliar as artérias coronárias) e a biópsia do miocárdio , poderão ser indicados para uma melhor elucidação do quadro.

* Sérgio Augusto Latuf é médico cardiologista
Notícia publicada na edição de 30/10/13 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 11 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

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