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21/09/14 | Sorocaba SP

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| CAIXAS ELETRÔNICOS

Polícia prende quadrilha que explodia bancos

Ontem foram presos quatro integrantes do bando, três deles em Votorantim. Outros dois ainda são procurados


Em uma operação denominada "Explosão de Caixas Eletrônicos", a Polícia Civil prendeu ontem em Votorantim e Sumaré quatro integrantes de uma quadrilha apontada como responsável por furtos de caixas eletrônicos em municípios das cinco Delegacias Seccionais abrangidas pelo Departamento de Polícia Judiciária (Deinter-7), entre os anos de 2012 e 2013. Entre os integrantes do bando (além dos quatro detidos ontem), dois foram presos no ano passado em situações de tráfico de drogas e posse de explosivos, um morreu em desentendimento com o próprio bando e outros dois já foram identificados, podendo ser localizados nas próximas horas. As investigações começaram no ano passado na região de Itapetininga e todo trabalho foi posteriormente centralizado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) daquela cidade. Ontem, além dos quatro presos, os 70 policiais participantes da operação também apreenderam cinco carros e duas motos de valores elevados. A polícia agora investiga eventual participação da quadrilha nos crimes dessa modalidade ocorridos no começo do ano em Sorocaba. Foram presos ontem Eferson José Severino da Silva, Emerson Messias Severino da Silva, Josué Luiz Ferreira e um quarto homem na cidade de Sumaré.

Conforme foi divulgado ontem durante entrevista coletiva concedida na DIG de Sorocaba, os municípios investigavam os crimes em seus perímetros quando, a partir de junho do ano passado, mediante a identificação de dois integrantes do bando pela Delegacia Central de Paranapanema, houve um cruzamento de informações originando assim a centralização dos serviços pela DIG de Itapetininga. De acordo com o delegado Roberto Theodoro de Oliveira, titular de Paranapanema, no distrito de Campos de Holambra foram registrados três furtos a caixas eletrônicos entre 2012 e 2013, sendo que o último aconteceu em 19 de junho, e logo na sequência, mais exatamente em 29 de junho, foi descoberto um rancho no km 230 da rodovia Castelo Branco (Paranapanema), com duas motos de 600 cilindradas, dinheiro chamuscado, capuz, projéteis e resquícios de dinamites. Na ocasião, a polícia descobriu que os responsáveis pelo rancho eram os irmãos Eferson José Severino da Silva, vulgo Canja, de 28 anos, e Emerson Messias Severino da Silva, de 32 anos, vulgo Fio, que seria o líder da quadrilha. Ambos têm antecedentes criminais, respectivamente, por receptação, e porte de entorpecentes. A partir dessa identificação é que as investigações foram ampliadas junto a outras delegacias, que começaram a perceber que a forma de ação era sempre a mesma, como por exemplo no início da madrugada, e com tiros disparados para o alto.

Ontem, com mandados de prisão temporária expedidos para os quatro acusados pela Comarca de Itapetininga, os policiais civis prenderam em Votorantim os irmãos Severino da Silva e também Josué Luiz Ferreira, vulgo Gordão, de 34 anos, que já conta com passagem por roubo. Em Sumaré, região de Campinas, foi preso um quarto integrante da quadrilha.

Em Votorantim, em poder dos três homens foram apreendidos uma caminhonete Nissan Frontier, placas LKP-6517, de Votorantim, dois Sienas de placas MSU-8068, de São Paulo e DMB-4586, de Votorantim, e dois Passats, com placas HVV-8866, de Sorocaba, e DVD-3044, de Tatuí, além de duas motos: uma Yamaha de placa EEC-9238, de Votorantim, e uma Suzuki de placa ESF-8575, de Sorocaba, ambas de 750 cilindradas. De acordo com o delegado titular da DIG de Itapetininga, Victor Hugo Siqueira Paulino, todos os veículos teriam sido adquiridos para uso próprio dos acusados, o que também leva a crer que os furtos sempre rendiam um bom valor em dinheiro. E embora nem mesmo a polícia disponha dos valores levados dos bancos, pelo menos num dos furtos o valor subtraído foi informado: R$ 90 mil.

O delegado Victor Hugo, porém, não quis revelar as identidades dos dois acusados ainda foragidos, destacando que apenas um deles já se encontra com mandado de prisão temporária expedido. Outros dois integrantes foram presos no ano passado, nas cidades de Porto Feliz, por tráfico de entorpecentes, e em Votorantim, por porte de artefatos. O nono integrante teria sido baleado pelos cúmplices em desentendimento interno na quadrilha em Campina do Monte Alegre, sendo socorrido em Piedade, onde faleceu. A Polícia Civil não dispunha das identidades desses três no momento da coletiva.

De acordo com os policiais civis que apontaram as participações dos quatro homens presos ontem nos furtos de caixas eletrônicos em Campos de Holambra e em Sarapuí, não estão descartadas as possibilidades de que o bando tenha agido entre 2012 e 2013 nas cidades de Iperó, Porto Feliz, Buri, Cesário Lange, e Elias Fausto, assim como não está descartada a hipótese da quadrilha ter participado, mesmo que indiretamente, dos casos ocorridos este ano em Sorocaba.

Legislação falha compromete trabalho policial

Também presente na coletiva, o delegado Júlio Gustavo Vieira Guebert, diretor do Deinter-7, destacou que a legislação penal não dá a devida importância a crimes que não sejam contra a vida, o que faz com que o trabalho policial fique comprometido no sentido de manter os acusados fora de circulação. Outro fator apontado como predominante para que crimes dessa modalidade continuem a ocorrer, é a falta de interesse dos banqueiros em querer melhorar seus esquemas de segurança.

Júlio Guebert também fez questão de explicar o motivo da Polícia Civil se preocupar tanto com casos de furtos em caixas eletrônicos, uma vez que o prejuízo patrimonial pertence às instituições bancárias. Ele disse que crimes dessa natureza precisam ser combatidos fortemente porque são as populações da cidades atingidas que sofrem com suas consequências: "imaginem um município com 5 mil habitantes, sem contar com a sensação de insegurança entre todos os moradores", destacou.

O diretor do Deinter-7 também enfatizou que com as quatro prisões efetuadas ontem, mais o cruzamento de informações pelas unidades policiais, será mais fácil chegar a provas da relação dessa quadrilha com muitos outros casos na área abrangida pelo Departamento. Ele também comentou que se trata de uma quadrilha bem organizada, o que também dificultou as investigações. Além do diretor do Deinter-7 e dos delegados da DIG de Itapetininga e de Paranapanema, os delegados seccionais Marcelo Carriel, de Sorocaba, e Marcelo Murad, de Itapetininga, também acompanharam a coletiva.


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